Ana Sílvia Cury Abbade Mendes foi exonerada em meio à indefinição sobre o futuro da unidade, que ainda não tem novo endereço definido para 2027

(Foto/Divulgação)
A exoneração da diretora da Escola Municipal Uberaba, Ana Sílvia Cury Abbade Mendes, abriu uma nova frente de desgaste político na Educação municipal. Edição desta segunda-feira (18) do Porta-Voz, o diário oficial do município, trouxe a troca de comando desta, que é uma das principais escolas municipais da rede, e passa a ter como diretor Caio César da Costa Ferreira, que deixou a direção do Cemei Diego José Ferreira Lima.
A exoneração de Ana Sílvia ocorre em meio à indefinição sobre o futuro da Escola Uberaba, que ainda não tem novo endereço definido para 2027 após o pedido de retomada do prédio pelo Sesc. A saída também repercute nos bastidores políticos, sobretudo porque a diretora foi candidata a vereadora em 2024 pelo PSD, partido da prefeita Elisa Araújo, então candidata à reeleição.
A publicação oficial não apresenta justificativa para a troca. A reportagem acionou a Secretaria Municipal de Educação. "A gestão das escolas municipais segue diretrizes pedagógicas e administrativas claras. Alterações na liderança de unidades escolares são decisões administrativas de competência da Secretaria de Educação, tomadas no interesse da educação pública de Uberaba. A Secretaria reitera seu agradecimento à ex-diretora pelo trabalho prestado e reafirma o apoio na continuidade do trabalho de excelência agora pelo novo diretor", diz a nota enviada à reportagem.
À Rádio JM, Ana Sílvia declarou ter sido surpreendida pela exoneração e que acredita ser a motivação de cunho pessoal. A ex-gestora reassumirá os cargos efetivos na rede municipal e permanecerá lotada na Escola Uberaba. Confira aqui a entrevista completa.
A decisão provocou reação do Sindicato dos Educadores do Município de Uberaba (Sindemu), que divulgou nota classificando a exoneração como “repentina, arbitrária e sem qualquer justificativa pública”. Segundo a entidade, professoras relataram que a gestora e a equipe da escola foram surpreendidas pela publicação do Porta-Voz enquanto participavam de formação continuada no período noturno.
“A forma como o ato foi conduzido é, por si só, inadmissível”, afirma o Sindemu. No comunicado, o sindicato também diz que a Escola Municipal Uberaba “não é qualquer unidade escolar” e cita a instituição como uma das unidades com melhores índices de Ideb da cidade.
A entidade ainda relaciona a exoneração ao momento vivido pela escola. Segundo o Sindemu, Ana Sílvia já havia organizado, junto ao corpo docente e à comunidade escolar, atividades para os próximos dias, incluindo o Dia da Família na Escola, marcado para 23 de maio, além das comemorações dos 80 anos da Escola Municipal Uberaba.
O desgaste em torno da unidade se arrasta desde a confirmação de que o prédio atualmente ocupado pela escola deverá ser retomado pelo Sesc. Em fevereiro, durante audiência pública, o presidente do Sistema Fecomércio MG, Nadim Donato, sinalizou que a Escola Uberaba poderia permanecer no imóvel até dezembro de 2026. Na mesma audiência, Ana Sílvia cobrou transparência sobre as articulações e demonstrou preocupação com o futuro dos servidores. “A demora em ter uma resposta efetiva e a carência de alternativas geram insegurança. Precisamos de transparência”, cobrou, conforme publicado pelo Jornal da Manhã.
Em março, o JM também mostrou que o Sindemu acionou o Ministério Público diante da indefinição sobre o funcionamento da unidade em 2027. À época, a presidente do sindicato, Thaís Villa, afirmou que a comunidade escolar seguia sem saber para onde a escola seria transferida. “A situação está essa: ninguém sabe, ninguém viu. Não se sabe para onde vai no ano que vem. Continua esse impasse, infelizmente”, afirma.
Ana Sílvia também já havia sido personagem de mobilização anterior na comunidade escolar. Após disputar as eleições de 2024 pelo PSD, um abaixo-assinado com 129 assinaturas pediu seu retorno à direção da Escola Municipal Uberaba. O movimento foi divulgado pelo JM em dezembro do ano passado.
Na nota divulgada nesta semana, o Sindemu afirma que tomará “todas as providências administrativas cabíveis” e encerra o comunicado dizendo que “defender a escola pública não pode ser motivo de perseguição”.