ELEIÇÕES 2026

TSE manda Lula retirar propaganda que associa Flávio Bolsonaro a assédio contra mulheres

Ministro entendeu que cenas encenadas com atores podem induzir eleitores a acreditar que o senador abordou mulheres daquela forma; decisão atende a pedido do candidato do PL

Publicado em 21/10/2026 às 09:46
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou nesta quarta-feira (21) que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) suspenda a veiculação de uma propaganda eleitoral que associa o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma abordagem desrespeitosa contra mulheres.

A decisão foi tomada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, após uma ação apresentada pelo próprio Flávio. Para o magistrado, as cenas encenadas na propaganda podem alterar a interpretação de um vídeo original do senador e levar os eleitores a acreditar que situações representadas na peça realmente aconteceram.

Como é a propaganda questionada?

A peça eleitoral começa com cenas protagonizadas por atores em uma padaria, simulando imagens de câmeras de segurança. Nas gravações, um homem aborda mulheres e diz: “Sou filho do dono da padaria. Quer me dar?”.

Em seguida, uma narradora afirma: “Agora, imagine ter um presidente que acha normal tratar uma mulher assim”. Só depois aparece o vídeo original de Flávio Bolsonaro, no qual ele pronuncia uma frase semelhante: “Sou filho do presidente. Quer me dar?”.

A propaganda termina com a mensagem: “Com Flávio Bolsonaro, as mulheres perdem”.

O que Flávio alegou à Justiça?

Na ação apresentada ao TSE, Flávio Bolsonaro argumentou que o vídeo original foi gravado em um contexto privado, durante uma conversa entre amigos, quando estaria imitando o irmão mais novo, Jair Renan Bolsonaro (PL).

O senador afirmou que não havia mulheres no ambiente e acusou a campanha de Lula de retirar a fala de seu contexto original.

Segundo a argumentação apresentada, a combinação do vídeo com as cenas encenadas poderia levar o público a associar a declaração a uma abordagem efetivamente praticada pelo candidato contra mulheres.

Por que o TSE determinou a suspensão?

Ao analisar o pedido, o ministro Marco Aurélio Bellizze considerou que as cenas produzidas com atores podem modificar o sentido atribuído à gravação original.

Na avaliação do magistrado, a propaganda ultrapassa a crítica política baseada em uma declaração pública ao sugerir que situações representadas na encenação teriam ocorrido de fato.

A decisão destaca que a edição do material pode induzir o eleitor a uma interpretação equivocada sobre a conduta do candidato.

Com a determinação, a campanha de Lula deverá suspender a veiculação da peça questionada, conforme os termos da decisão judicial.

O caso ocorre durante a disputa presidencial de 2026, marcada pelo confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. A decisão trata especificamente da propaganda contestada e não representa, por si só, uma conclusão judicial sobre o comportamento pessoal do senador.

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