Boletim da Saúde aponta média de 25 casos por mês; maioria das vítimas é menina e 80% dos estupros ocorreram contra menores de 14 anos

Relatório aponta que a maior parte das notificações se refere a estupro de vulnerável, em que 69% das vítimas são meninas. (Foto/Ilustrativa)
Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Uberaba divulgou Boletim Epidemiológico sobre violência sexual contra crianças e adolescentes no município, com dados referentes ao ano de 2025. O levantamento apontou que foram notificados 302 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes residentes no município, o que representa média de 25 registros por mês, ou praticamente um caso por dia.
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Ainda de acordo com o boletim, a maior parte das notificações se refere a estupro, totalizando 232 casos, sendo que 80% correspondem a estupro de vulnerável, quando a vítima tem menos de 14 anos. Os dados também mostram que 69% das vítimas são meninas e 31%, meninos. Em relação à faixa etária, a maior concentração de casos ocorre entre 10 e 13 anos, que representam 39% das notificações.
Segundo a SMS, o levantamento tem como objetivo dar mais visibilidade a esse problema, fortalecer as ações de prevenção e aprimorar o fluxo de atendimento às vítimas.
Outro ponto destacado pelo boletim é que, na maioria das situações, o autor da violência faz parte do círculo de convivência da vítima, incluindo conhecidos, familiares ou pessoas próximas. Os casos envolvendo desconhecidos correspondem a uma parcela menor dos registros. A identificação do autor da violência como “outra criança ou adolescente” aparece como o segundo grupo mais frequente, totalizando 14% dos registros. O dado pode indicar a possível reprodução de ciclos de violência.
O documento também apresenta informações sobre o fluxo de atendimento no município. Em 130 casos, as vítimas foram atendidas em até 10 dias no hospital de referência, enquanto 123 casos foram identificados após esse período e encaminhados para acompanhamento especializado. Outros 49 registros não seguiram o fluxo municipal estabelecido, o que reforça a necessidade de integração entre os serviços da rede de proteção.
Segundo a referência técnica em Vigilância das Violências da Secretaria Municipal de Saúde, Raíssa Mazeti, o boletim representa apenas parte da realidade, uma vez que estudos indicam que muitos casos de violência sexual ainda permanecem subnotificados. Estima-se que os registros representem menos de 10% dos casos reais, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).