POLÍTICA

Vale sabia de falhas em sensores de barragem antes da tragédia de Brumadinho

Troca de e-mails entre a mineradora e duas empresas de segurança evidenciam que a Vale sabia da instabilidade da barragem

Publicado em 07/02/2019 às 06:16Atualizado em 17/12/2022 às 17:59
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A Polícia Federal analisa e-mails trocados entre a mineradora Vale e duas empresas ligadas à segurança da Barragem I da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, que se rompeu no dia 25 de janeiro. Os documentos apontam que dois dias antes do rompimento, a Vale havia sido informada sobre os problemas em dados de sensores que monitoravam a estrutura.

A TV Globo teve acesso aos depoimentos prestados à corporação pelos engenheiros André Yassuda e Makoto Namba, da empresa alemã TÜV SÜD, que emitiu declarações de condição de estabilidade da barragem no ano passado. A PF trabalha com a hipótese de que a liquefação seja a causa mais provável do rompimento. Nesta terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça concedeu liberdade aos dois engenheiros e a mais três funcionários da Vale.

Os engenheiros foram ouvidos pela PF no dia 1º de fevereiro e, nas oitivas, revelaram mensagens de e-mails trocadas entre funcionários da TÜV SÜD e da Vale, responsáveis pelos laudos de estabilidade da barragem. Um dos engenheiros da empresa alemã, Dênis Valentin, citado em depoimento, enviou as primeiras mensagens, em 23 de janeiro, a vários interlocutores; elas foram respondidas por Hélio Cerqueira, funcionário da Vale, no dia seguinte.

No dia seguinte, 24 de janeiro, foram trocadas novas mensagens respondidas por Anderson Fernandes, outro funcionário da Vale. O assunto era a discrepância de dados dos piezômetros, que são automatizados e fazem o monitoramento da barragem. Eles apresentaram falhas em 10 de janeiro. Ainda foi questionado nas mensagens o não funcionamento de cinco aparelhos.

O engenheiro Makoto Namba chegou a ser questionado pelo delegado da PF sobre o que faria se o filho dele estivesse trabalhando na barragem. Ele respondeu que após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para o filho dele deixar o local e também ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do plano de emergência da barragem para providências cabíveis.

Namba ainda declarou que, em reunião com Alexandre Campanha, funcionário da Vale, ouviu a pergunta: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”. Ele afirmou ter respondido que a empresa assinaria se a Vale adotasse a recomendação indicada na revisão periódica de junho de 2018. Ainda em oitiva à PF, Namba disse que, apesar da resposta, sentiu que a pergunta foi uma forma de pressionar a empresa à assinatura da declaração de estabilidade.

Em nota, a Vale reafirmou estar colaborando com as investigações. “Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”, disse.

Já a TÜV SÜD declarou que não pode fornecer quaisquer informações adicionais, devido às investigações em andamento. O número de mortos mais recentemente divulgados chega a 150, sendo 134 identificados. Outras 182 pessoas ainda estavam desaparecidas. Os trabalhos serão reiniciados nesta quinta-feira (7), o 14º dia de buscas na região da barragem.

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