A atual administração municipal foi duramente criticada ontem no plenário da Câmara por conta do episódio envolvendo o mando de campo do Uberaba Sport Club no estádio Engenheiro João Guido, o Uberabão, que teve reprovados os laudos técnicos remetidos à Federação Mineira de Futebol (FMF), visando à sua liberação para os jogos do Campeonato Mineiro Módulo II – situação que foi revertida ainda ontem. “Quem vai arcar com o prejuízo [do clube]?”, bradou o vereador Marcelo Borjão (DEM) ao abordar o assunto.
Para ele, faltou ao governo cumprir com seu papel. E mais: na sua avaliação, faltou responsabilidade, a qual também atribuiu à administração passada. O segundo secretário da Mesa Diretora, Paulo César Soares, o China (PSL), conclamou os colegas a um repúdio ao ocorrido, lembrando que o Uberaba Sport é a “glória da cidade” e leva seu nome para vários cantos.
Na opinião de Luiz Dutra (PDT), faltou competência ao responsável pelo serviço e, utilizando-se de uma expressão que remete à informática, a qual significa colar e copiar, disse: “Fizeram control C e control V ao invés de elaborar um novo documento” - visando a obter a liberação do campo através da FMF e do Crea-MG (leia mais em Esportes). Ao longo dos trabalhos em plenário essa semana, ao menos dois vereadores deram pistas de como irão administrar seus mandatos na relação com o Executivo.
Kaká Se Liga, que ocupa assento na Casa pela primeira vez e disputou as eleições de 2012 no grupo adversário do atual prefeito, Paulo Piau (PMDB), foi claro ao colocar para os colegas que é contra votar projetos “a toque de caixa”. Kaká, cujo partido indicou a candidata a vice-prefeita (Luciene Fachinelli) na chapa encabeçada pelo petista Adelmo Leão – que disputou a PMU com apoio do ex-prefeito Anderson Adauto (sem partido) –, chegou a sugerir que nesses casos a Câmara reaja através de pedidos de vistas, procedimento regimentalmente previsto para que o vereador faça uma análise mais detalhada das propostas, quando há dúvidas. Ante a um pedido de vista, a projeto pode ficar até 10 dias nas mãos do autor da demanda.
Já Samuel Pereira (PR), que apoiou a eleição de Piau, disse que é preciso buscar a legalidade, antes de votar o Orçamento para 2014, para assegurar os recursos previstos para cada Pasta ou área. “A partir do momento que um projeto chega à Câmara, ela tem que ser respeitada”, disse ele, mais tarde, a jornalistas. Ainda em plenário, Samuel declarou que quando a Lei Orçamentária chega à Casa – a votação da proposta acontece sempre em dezembro –, vem acompanhada do que chamou de “conselhos” para que seja aprovada.
Nos bastidores da Casa circula a informação de que um vereador, também da base aliada, que não teve atendidas as nomeações de seus indicados no Município, teria dito a colegas que, ante a situação, poderá votar contra os projetos do Executivo. (RG)