Jairo Chagas
Na ausência do líder e vice-líder do prefeito Paulo Piau, que o acompanhavam em Belo Horizonte, vereadores criticaram com veemência a administração municipal Questionamentos relacionados à veracidade das 500 obras e ações recentemente anunciadas pelo governo Paulo Piau (PMDB) e críticas ao comportamento de alguns secretários municipais deram a tônica ontem na segunda plenária do ano na Câmara, em sessão dedicada a requerimentos. O perfil do prefeito, chamado de “bonzinho demais”, por isso estaria sendo “enrolado” pelos ocupantes de cargos comissionados na PMU, também foi levantado pela Casa e colocado à imprensa. Vice-presidente do Legislativo, o vereador China (SDD) usou a tribuna para cobrar uma grande obra para marcar a administração que, na sua avaliação, “foi incompetente” em 2013. Ele defendeu a construção do viaduto ligando as avenidas Orlando Rodrigues da Cunha e Padre Eddie Bernardes, no bairro de Lourdes, orçada em R$4,2 milhões, que, segundo o vereador Samir Cecílio (SDD), já tem recursos oriundos da venda terrenos no Jardim Belo Horizonte, que renderam cerca de R$5,6 milhões aos cofres municipais. “Chegou a hora dele [Piau] trabalhar”, completou China, declarando ainda que, “na condição de vereador extremamente periférico”, não viu nenhuma das 500 obras anunciadas, quando o colega Cléber Cabeludo (Pros) o interrompeu para pedir sua opinião sobre o que chamou de “propaganda” do governo, em outdoors e relatório impresso, anunciando os feitos. Marcelo Borjão (DEM), que puxou o debate no plenário, avalia que “papel aceita tudo”, enquanto Edmilson de Paula (PRTB) pondera que para chegar a esse número o prefeito contou os buracos tapados ao longo de 2013 e as capinas. “Eu ando muito, no 2000 [Residencial], no Abadia inteiro, no Primavera, Uberaba 1, e só vejo o pessoal falar mal [do governo]”, revelou Edmilson, que conta ter levado essa situação ao prefeito, que, como resposta, lhe disse que tem pesquisas que apontam exatamente o contrário. “Mas eu dig pesquisa qualquer um faz”, completou o vereador, para quem se o prefeito não promover uma mudança na sua equipe, “tirar quem não quer trabalhar”, terá problemas em 2016, com a reeleição. “Parece que cada secretário montou uma prefeitura para si, decide tudo, e o prefeito às vezes nem fica sabendo. Estão fazendo politicagem”, disparou Borjão, ao defender o fim do que classificou como “prefeiturinhas”. Ao abrir a discussão no plenário ontem, porém, o democrata acusou o prefeito de incitar a violência contra os funcionários públicos e, na condição de presidente reeleito da Comissão de Assistência aos Servidores, sugeriu a ele que peça desculpas publicamente. Na semana passada, Piau disse, em entrevista, que não admite falta de responsabilidade na Prefeitura e, como exemplo, citou que os coordenadores das Unidades Básicas de Saúde (UBS) são os responsáveis pelo bom funcionamento desses locais, não o chefe do Executivo ou o secretário. Depois de lamentar a burocracia para a solução dos problemas, o prefeito ensinou os subordinados a, primeiro, “pedir”; segundo, “a chutar a canela de quem está travando”; terceiro, “dar um murro”, e quarto, “ameaçar de morte”. “Se não resolver, fala com o prefeito.” Para Borjão, Piau não pode responsabilizar os subordinados pelas críticas ao governo, lembrando que em novembro, durante reunião entre o Executivo e o Legislativo, os vereadores queixaram-se que o município estava parado. Ele defende que o prefeito troque ao menos cinco secretários, cujos nomes assegura já ter levado a PP, a quem pediu que “comece a governar” e mostre serviço”. Segunda-secretária da Mesa Diretora, Denise da Supra (PR) fez coro com o colega, citando que parte do secretariado, alguns diretores e até funcionários de carreira são indelicados. “Se está lá para trabalhar, trabalha, senão dá lugar para outro. Se o cargo é comissionado, o prefeito tem que tomar uma posição, porque mau atendimento respinga nele. Espero que o prefeito comece a olhar para isso e tire essas pessoas que só trazem malefício para sua gestão e acho que até deixam seu nome enlameado”, finalizou. Ante a ausência em plenário do líder governista e do vice-líder, respectivamente, Luiz Dutra (SDD) e Kaká Se Liga (PSL), nenhum integrante da base saiu em defesa do Executivo.