A prestação de contas da Secretaria Municipal da Fazenda movimentou o plenário da Câmara ontem à tarde, como nunca se viu em audiências públicas desta natureza
Secretário municipal da Fazenda, Wellington Fontes esteve ontem na Câmara para a prestação de contas do último quadrimestre do ano passado A prestação de contas da Secretaria Municipal da Fazenda movimentou o plenário da Câmara ontem à tarde, como nunca se viu em audiências públicas desta natureza, ao menos nos últimos anos. Isto porque excepcionalmente os números referentes ao 3º quadrimestre de 2012 (setembro, outubro, novembro e dezembro) foram apresentados em plena sessão ordinária, a última do ano, após um pedido do Executivo para atender ao prazo legal – em fevereiro –, como prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal. Com o plenário cheio, o que não faltou foi questionamento ao secretário de Fazenda, Wellington Fontes, sugestões para o prefeito Paulo Piau (PMDB) parar de lamentar o que seria uma “herança maldita” do seu antecessor, Anderson Adauto (sem partido), que foi chamado de “melhor prefeito dos últimos 40 anos”. Responsável por apresentar os números, o titular da Sefaz reiterou que o déficit financeiro do Município em dezembro de 2012 era de R$78.753.306,55, “uma situação consumada. A dívida é maior do que o IPVA e o IPTU que vou receber esse ano”. No entanto, após a informação de que existem R$61.442.102,40 de empenhos não realizados, o vice-presidente da Câmara, vereador Samir Cecílio (PR), cobrou do secretário que era preciso deixar claro que a saúde financeira do município é extraordinária, em todos os aspectos. “Podemos ter déficit, mas isso de forma alguma pode ser óbice para que Piau tenha um excelente mandato, como é nossa vontade e expectativa”, afirmou. Segundo Wellington, a saúde econômica do município é boa, mas a financeira é precária. “Economicamente estamos bem, mas não temos dinheiro. É como aquele fazendeiro que tem um milhão de alqueires e não tem dez reais para comprar milho para as galinhas”, exemplificou, esclarecendo ainda que o montante ainda não empenhado é superávit de recursos específicos. Questionado pelo vereador Paulo César Soares, o China (PSL), sobre qual a receita prevista para o ano, Wellington informou que deve girar em torno de R$400 milhões. Desse montante sairão 25% para a Educação e 15% à Saúde; outros 45% com a folha de pagamento, sendo que devem sobrar em torno de R$40 milhões para custeio e quitar a dívida. “O povo está acreditando no governo, não deve ficar só falando em dívida”, emendou China, que fez uma defesa calorosa do ex-prefeito, que, segundo ele, pegou uma cidade pequena, a fez crescer e se transformar em uma geradora de empregos. Marcelo Borjão (DEM) disse que pediu a Piau para parar de reclamar da dívida, como sugeriu a AA quando assumiu em 2005 e herdou R$22 milhões do seu antecessor, o ex-prefeito Marcos Montes (PSD). Samuel apontou que se fosse ele o chefe do Executivo, “estaria desesperado”.