Ao reforçar o caráter extremo do atual momento vivido em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) endureceu o discurso, batendo ainda na tecla de que somente com a conscientização das pessoas é possível conter o avanço desenfreado da Covid-19 no Estado. Zema chegou a chamar de assassino quem sai às ruas sem necessidade quando tantas pessoas morrem no estado, inclusive por falta de atendimento, uma vez que não há mais profissionais para a abertura de novos leitos.
Adotando discurso de rigor, o governador fez mais um apelo para que a população compreenda a gravidade do momento da pandemia e se sensibilize à situação. A prefeita Elisa Araújo (Solidariedade) segue a mesma linha e ainda ontem (15), durante coletiva com a imprensa de Uberaba, também insistiu na tese da conscientização das pessoas para que seja possível baixar os índices alarmantes que vivemos na cidade. Ontem foi atingido novo recorde de óbitos registrados em 24h em Uberaba, com 10, chegando à triste marca de 414 mortes ao todo, sendo 174 somente em 2021.
“É uma questão humanitária. Todos precisamos ter consciência. Quem sai na rua desnecessariamente, quem faz alguma aglomeração, na minha opinião, pode ser tachado de assassino. Porque ele pode estar transmitindo um vírus para uma pessoa que não vai ter atendimento”, declarou Zema. O governador ainda vai além e afirma que uma forma de conscientizar a população que insiste em “não ter nada a ver com isso” é uma visita aos hospitais no Estado, onde pessoas imploram por atendimento médico e não estão conseguindo. “Há pessoas implorando por atendimento médico nos hospitais, se não tivermos espírito comunitário, essas pessoas vão implorar atendimento nas ruas”, pontua.
O secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, reforçou a situação de esgotamento dos profissionais de saúde, que além da privação do convívio social, trabalham todos os dias para salvar a vida dos mineiros
Também presente na coletiva de imprensa nesta manhã, o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, explicou que o prolongamento do período de restrição máxima acontece pela falta de engajamento da população. “O isolamento vem caindo sistematicamente e é por isso que eu reforço que a onda roxa não pode ser uma cor no mapa e sim uma mudança de comportamento. Regiões com onda roxa não estão conseguindo um grau de isolamento suficiente porque a população não vem respeitando essas medidas. É difícil, todo mundo está cansado, mas nós temos que entender que são 15 dias de grande sacrifício para que os hospitais consigam respirar e a gente consiga progredir dentro do Minas Consciente”, alerta Baccheretti.
O secretário ainda faz apelo para que as pessoas voltem a apoiar os profissionais de saúde. “Eu sou médico, trabalho ainda em hospital, na Santa Casa, que é o maior hospital de Minas, e posso dizer que está todo mundo cansado. O profissional de saúde mais cansado ainda. Além de ele não ter o convívio social como toda a população, ele todos os dias está trabalhando, todos os dias está resistindo a uma pandemia que acaba com a saúde de todo mundo. Então é uma questão muito individual. Lembrando que o mineiro já conseguiu isso. No começo da pandemia a taxa de isolamento beirava 60%. Então se o mineiro se conscientizar, se o prefeito nos ajudar e está nos ajudando, isso vai acontecer. São 15 dias de grande sacrifício e depois a gente vai colher o resultado”.
Unanimidade no discurso da coletiva, o ponto principal da onda roxa ser estendida a todo o Estado é a falta de profissionais de saúde, que agrava ainda mais a infecção acelerada dos mineiros. Segundo o governador, Minas Gerais vive um momento excepcional, o que exige medidas igualmente excepcionais, o que requer o apoio de todos, inclusive de prefeitos contrários ao endurecimento das medidas. “Nosso intuito, vamos deixar muito claro, é preservar vidas. Hoje nós estamos perdendo pessoas porque não há atendimento”, insiste.
Romeu Zema ainda explicou que as medidas restritivas em Minas têm o apoio do Ministério Público e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o que garantirá a adesão de todos os municípios ao protocolo da onda roxa. “Já temos em Minas Gerais esse tipo de situação em que o prefeito não acatou as deliberações do Comitê Extraordinário e o Ministério Público imediatamente entrou com uma representação e o Tribunal de Justiça deu decisão favorável ao Estado. Eu quero salientar aqui que acima de tudo está a questão de preservarmos a saúde e a vida das pessoas. Num momento como esse, qualquer pessoa contaminada a mais pode vir a ser um óbito a mais, porque o Estado não tem mais capacidade de atendimento. Nós estamos vivendo um momento excepcional e um momento excepcional exige medidas excepcionais. O nosso alinhamento com o Ministério Público e com o Tribunal de Justiça tem sido total”, finaliza o governador.