Segundo Zema, a regularização será possível sobretudo a partir das privatizações
Em entrevista ao jornal Estado de Minas na tarde de quinta-feira (27), o governador Romeu Zema disse que a adesão ao regime de recuperação fiscal do governo federal vai representar o fim do parcelamento dos salários dos cerca de 600 mil servidores mineiros em um prazo de 90 dias.
Segundo Zema, a regularização será possível a partir das privatizações, além da redução de despesas do Estado e do aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo. “Se aprovarmos o ajuste em questão de 90 dias temos de colocar a folha de pagamento em dia e não ser paga mais de forma parcelada. Cerca de 90 dias já haverá os reflexos que vão permitir isso”, disse na entrevista.
Contudo, a adesão do ajuste depende do apoio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e Zema reconheceu que ainda não tem o apoio que precisa. A base atual é composta por 21 parlamentares; são necessários pelo menos 48 votos para aprovar mudanças na constituição mineira. Ainda durante a entrevista, Zema afirmou que a reforma da Previdência proposta pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) terá um efeito imediato sobre os cofres estaduais.
Privatização da Cemig. O governador abordou o assunto envolvendo a estatal, que atinge todo o Estado. “Hoje a constituição fala em referendo popular. Até podemos avaliar essa opção apesar de ser extremamente onerosa, trabalhosa e difícil na questão de tempo e estrutural. Além disso vejo que quando se fala de privatização a maioria da população não tem acesso a dado para poder avaliar bem”, critica Zema. O governador ainda pontua que o ideal seria delegar para algumas pessoas determinadas questões. “Eu não tomo remédio sem consultar médico. Quem está na Assembleia hoje que tem condição de se aprofundar nos dados, do meu ponto de vista, sem desrespeitar o mineiro, teria condição de tomar uma decisão mais adequada que a própria população”, analisou o governador, que confirma não ter ainda os votos necessários para a privatização.
“Temos de pensar que empresa estatal já foi bom no passado, no governo militar surgiram diversas e foram sucesso, mas o mundo mudou. Hoje temos um estado quebrado. O principal dono da Cemig é o estado e ela precisa de R$ 21 bilhões para deixar a rede de transmissão, geração e distribuição em ordem. Ela não tem condição de investir este valor, vai investir R$ 6 bilhões nos próximos anos. Queremos uma empresa que atenda bem a população e possa trazer novos empregos para Minas ou uma empresa travando esse desenvolvimento?”.
Confira a entrevista completa: