ATENÇÃO

Colesterol alto pode afetar artérias ainda na infância, alerta cardiologista do MPHU

Processo de formação de placas de gordura pode começar por volta dos 10 anos; especialista reforça importância da prevenção e do acompanhamento médico

Publicado em 12/08/2026 às 09:26
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Estudos científicos apontam que o processo de formação de placas de gordura nas artérias pode começar ainda na infância, por volta dos 10 anos de idade. O alerta é da cardiologista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Priscila Idaló, que chama atenção para o colesterol alto como um fator de risco silencioso para doenças cardiovasculares e neurológicas, como o acidente vascular cerebral (AVC).

Segundo a especialista, o colesterol LDL, conhecido como “mau colesterol”, participa da aterogênese, processo em que o excesso de gordura se deposita nas paredes das artérias, sofre alterações e contribui para a formação de placas de ateroma. Com o passar dos anos, essas placas podem reduzir ou bloquear o fluxo de sangue para órgãos como coração e cérebro.

“É importante salientar que esse processo pode ter início a partir dos 10 anos de idade, com as primeiras linhas de gordura na parede da aorta, conforme demonstraram grandes estudos científicos de autópsia, como o PDAY e o Bogalusa Heart Study”, explica Priscila.

Quando as placas atingem as artérias coronárias, podem aumentar o risco de infarto. Já quando comprometem os vasos responsáveis pela irrigação do cérebro, podem contribuir para a ocorrência de AVC.

Doença silenciosa

Um dos principais riscos do colesterol elevado é a ausência de sintomas. Conforme a cardiologista, o estreitamento das artérias acontece de maneira lenta e progressiva e pode levar anos até provocar manifestações clínicas.

“A ausência de sintomas não significa saúde arterial. Na maioria das vezes, quando o corpo finalmente manifesta algum sinal, como uma dor no peito, significa que a doença já está avançada, com mais de 70% da artéria obstruída, ou que a placa de gordura acabou de se romper de forma súbita”, alerta.

Por isso, alterações no colesterol podem permanecer desconhecidas por muito tempo e serem identificadas somente após o surgimento de complicações cardiovasculares.

Como proteger coração e cérebro?

De acordo com Priscila Idaló, o controle do colesterol está relacionado principalmente à adoção de hábitos saudáveis. Entre as recomendações estão:

  • reduzir o consumo de gorduras saturadas, presentes em carnes gordurosas, frituras e alimentos ultraprocessados;
  • aumentar o consumo de fibras solúveis, encontradas em alimentos como aveia, leguminosas e frutas;
  • praticar atividade física regularmente;
  • não fumar;
  • manter um peso adequado;
  • adotar estratégias para controlar o estresse;
  • ter uma rotina de sono adequada;
  • realizar consultas médicas e exames periódicos para acompanhar o perfil lipídico.

Prevenção começa cedo

A especialista ressalta que o cuidado com o colesterol não deve começar apenas na vida adulta. Como alterações nas artérias podem surgir ainda na infância, hábitos saudáveis desde cedo podem contribuir para reduzir o risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida.

“A prevenção começa com informação, hábitos saudáveis e acompanhamento médico”, conclui a cardiologista do MPHU.

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