Febre alta, tosse, coriza e olhos avermelhados podem parecer sintomas de uma virose comum, mas também estão entre os primeiros sinais do sarampo. Com a circulação do vírus em algumas regiões do país, especialistas alertam que pais devem ficar atentos à evolução do quadro e manter a vacinação das crianças em dia para evitar complicações.
Embora Uberaba não tenha registros confirmados da doença, os casos identificados recentemente em outros estados reforçam a importância da prevenção e da atualização da caderneta vacinal. Segundo a médica pediatra Isabela Vasconcelos, o início do sarampo costuma ser difícil de diferenciar de outras infecções respiratórias comuns na infância.
“Os três C são bem característicos: tosse (caugh, tosse em inglês), coriza e conjuntivite. Só que, infelizmente, esses sintomas são muito semelhantes às outras viroses comuns e não há como distinguir inicialmente. Depois desses primeiros sintomas é que surge o exantema, que são as manchinhas no corpo características do sarampo”, explica.
A médica destaca que a conjuntivite provocada pelo sarampo costuma apresentar algumas características específicas, como vermelhidão nos dois olhos e sensibilidade à luz.
Após o período inicial de sintomas, a doença evolui para o aparecimento das manchas na pele. Segundo Isabela, o exantema geralmente começa no rosto e segue em direção ao restante do corpo. “O rash maculopapular começa na face e vai descendo pelo corpo ao longo de aproximadamente três dias. A febre e os sintomas respiratórios costumam atingir o pico junto com o surgimento dessas manchas”, afirma.
O período entre o contato com o vírus e o aparecimento dos sintomas pode chegar, em média, a 12 dias. Depois disso, a doença passa pelas fases de sintomas iniciais, surgimento das manchas e recuperação.
Segundo a pediatra, todo o processo pode levar de duas a três semanas até a recuperação completa.
Apesar de os sintomas iniciais serem parecidos com outras viroses, alguns sinais indicam a necessidade de procurar atendimento médico imediatamente. Entre eles estão dificuldade para respirar, respiração rápida ou com esforço, dificuldade para ingerir líquidos, sinais de desidratação, vômitos repetidos, sonolência excessiva, diarreia intensa ou convulsões.
A pediatra alerta que crianças menores de cinco anos estão entre os grupos com maior risco de evolução grave da doença, junto com gestantes, pessoas imunossuprimidas e adultos acima de 20 anos.
Entre as principais complicações do sarampo estão pneumonia, otite, diarreia e ceratoconjuntivite. A pneumonia, segundo a especialista, é uma das principais causas de morte associadas à doença.
Mesmo em cidades sem casos confirmados, a recomendação é manter a vacinação atualizada. Segundo Isabela, o sarampo é uma doença que pode voltar a circular rapidamente quando há queda na cobertura vacinal. “O sarampo é importado. Todos os surtos começam por um caso de um viajante. Além disso, a imunidade de rebanho exige uma cobertura vacinal de pelo menos 95%. Pequenas quedas nessa cobertura provocam surtos desproporcionalmente grandes”, explica.
Em Uberaba, a Central de Vacinas orienta que todas as pessoas de 12 meses a 59 anos verifiquem a situação vacinal. O esquema de rotina prevê a primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e a segunda dose aos 15 meses.
Uma dúvida comum entre famílias é se uma criança vacinada garante proteção para irmãos menores que ainda não receberam as doses. Segundo a pediatra, essa ideia é equivocada. “A proteção conferida pela vacina é individual, não se transmite de uma criança vacinada para seus irmãos. Cada criança precisa receber suas próprias doses para estar protegida”, afirma.
Por isso, a orientação é que pais e responsáveis verifiquem a carteira de vacinação de todos os filhos, independentemente de haver casos confirmados na cidade. “A principal orientação é verificar e atualizar imediatamente a caderneta de vacinação de todos os filhos, mesmo sem casos confirmados na própria cidade”, reforça Isabela.
A vacina contra o sarampo faz parte da tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, ou da tetraviral, que inclui a varicela. Em situações específicas, como períodos de surto, uma dose extra pode ser indicada a partir dos seis meses de idade, conforme orientação das autoridades de saúde.