Projeto pioneiro no Brasil leva monitoramento contínuo para dentro do lar e promete mais precisão no acompanhamento da doença
UFU desenvolve relógio que pode facilitar a vida dos pacientes com Parkinson (Foto/Reprodução/UFU)
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por meio do Núcleo de Inovação e Avaliação Tecnológica em Saúde (Niats), desenvolve um sistema chamado “Parkinson no Lar”, que utiliza um dispositivo semelhante a um smartwatch para acompanhar, de forma contínua, os sintomas da doença de Parkinson dentro da rotina dos pacientes.
A proposta é inovadora no país por levar o monitoramento para além das consultas médicas tradicionais, permitindo que os sinais motores e outras manifestações da doença sejam observados enquanto o paciente realiza suas atividades diárias em casa.
Segundo a pesquisadora Ariana Moura, responsável pelo estudo, a principal mudança é justamente a ampliação da observação clínica para o ambiente domiciliar. O sistema utiliza sensores vestíveis que se assemelham a um relógio e registram dados ao longo do dia.
Atualmente, o acompanhamento neurológico é feito, em geral, por avaliações pontuais em consultório, o que pode não refletir completamente a evolução dos sintomas no cotidiano. Com a nova tecnologia, a ideia é obter uma análise mais fiel da realidade do paciente.
O projeto já está em fase de testes em Uberlândia e busca voluntários para participar do acompanhamento, que dura cerca de um mês e meio. Segundo a UFU, o uso do dispositivo não interfere na rotina e exige apenas cuidados básicos, com suporte da equipe de pesquisa.
A iniciativa também ganha relevância diante dos números da doença: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 4 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo, sendo aproximadamente 200 mil no Brasil.