MAIO FURTA-COR

Baby blues ou depressão pós-parto? Psicóloga explica quando buscar ajuda

Alterações emocionais são comuns após o nascimento do bebê, mas sinais prolongados pedem acompanhamento

Débora Meira
Publicado em 12/05/2026 às 11:18Atualizado em 12/05/2026 às 11:48
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A exaustão, o choro frequente e as mudanças de humor após o nascimento de um bebê são comuns no pós-parto, mas é preciso atenção quando esses sinais persistem e começam a afetar a rotina da mãe e o vínculo com a criança. O alerta é da psicóloga Priscila Marlene, que falou sobre saúde mental materna durante entrevista ao JM News, dentro da campanha Maio Furta-Cor. 

Segundo a especialista, muitas mulheres passam pelo chamado “baby blues”, condição emocional ligada principalmente às alterações hormonais após o parto. Nesse período, a mãe pode apresentar maior sensibilidade, episódios de choro, irritabilidade e cansaço intenso. A psicóloga explica que o quadro costuma ser temporário e tende a diminuir conforme o organismo recupera o equilíbrio hormonal. “O baby blues discorre da variação hormonal mesmo após o parto. A gente estima cerca de dois meses e meio a três meses para que o corpo dessa mulher entre em uma estabilidade, tanto de humor quanto hormonal”, afirma. 

O problema, segundo Priscila, é quando os sintomas continuam mesmo após esse período ou passam a comprometer o cotidiano da mulher. Nesses casos, o quadro pode indicar uma depressão pós-parto, considerada um transtorno do humor que necessita de acompanhamento profissional. 

A psicóloga explicou que os sinais nem sempre aparecem apenas como tristeza. Irritabilidade constante, isolamento, exaustão extrema, dificuldade de convivência social e até a ausência de vínculo afetivo com o bebê podem indicar que a mãe precisa de ajuda especializada. “Muitas vezes as pessoas associam depressão apenas à tristeza. Mas ela também pode aparecer através do mau humor, da raiva, da irritabilidade e do afastamento”, destaca. 

Durante a entrevista, a especialista também chamou atenção para a sobrecarga emocional da maternidade, especialmente entre mães de primeira viagem. Segundo ela, além das mudanças físicas e hormonais, muitas mulheres enfrentam inseguranças, dependência financeira temporária, privação de sono e pressão social. “A maternidade traz uma exaustão. Só que quando essa mulher está sempre exausta, evitando contato com outras pessoas, sem conseguir criar vínculo com o bebê, é o momento de ter atenção”, alerta. 

Priscila ressaltou ainda que muitas mulheres deixam de procurar ajuda por medo de julgamento. Ela lembrou que existe uma cobrança social para que a maternidade seja vivida de forma plenamente feliz desde o início, o que pode fazer com que mães escondam sentimentos negativos ou dificuldades emocionais. “Existe uma expectativa de que a mãe ame imediatamente aquele bebê e esteja feliz o tempo todo. Mas isso não acontece da mesma forma para todas as mulheres”, pontua. 

A psicóloga defendeu que o acompanhamento psicológico faça parte do pré-natal desde o início da gestação, como forma de prevenir o agravamento de quadros emocionais no pós-parto. Em Uberaba, ela citou o trabalho realizado pelo CAISM e ações desenvolvidas nas UBSs para acolhimento e orientação de mães. 

Por fim, a especialista reforçou a importância do apoio familiar e da escuta sem julgamentos durante toda a gestação e o pós-parto. “Quando a gente acolhe sem julgamento, isso já é um apoio enorme para essa mulher e para essa mãe”, conclui.

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