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Uberaba

Luiz Claudio
Publicado em 11/03/2024 às 18:48
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Um povo sem cultura é um povo sem história, e sem memória não cria raízes, e sem elas não cresce e não produz frutos. Uberaba soube ao longo dos tempos manter viva a obra dos seus pioneiros, num resgate permanente dos valores que permearam as suas origens e evolução.

Minas são muitas, afirmam os consagrados estudiosos. É fato. Impulsionada pelo ocaso da Minas de Ouro Preto, surgia, lenta e silenciosamente, a Minas do Oeste, de viés rural, do cultivo agrícola e da criação do gado. Aquela representava a urbanização colonial alicerçada na extração aurífera, com supervisão direta da Metrópole; aqui, no sertão, Uberaba se consolidava como portal de um novo mundo em construção, com diferenças aviltantes: distante do poder central, desaparelhada do incipiente arsenal técnico existente, só se extraía da terra o que fosse nela trabalhado, criado, plantado e cultivado, debaixo de sol e de chuva, enfrentando-se todas as incertezas do tempo e do ambiente hostil, povoado por índios e quilombolas.

Enquanto a Minas do ouro quedava-se pelo esgotamento das suas jazidas e burocratizava-se pela proximidade do poder central, a Minas do Oeste descobria-se na superação paulatina dos extraordinários obstáculos encontrados.

É admirável a saga daqueles pioneiros de espírito aventureiro e de invejável coragem que não encontraram riquezas prontas, mas edificaram-nas; é bem verdade que a terra fértil era uma dádiva divina, mas que exigia um hercúleo esforço humano para domá-la e torná-la produtiva.

Talvez o esforço descomunal empreendido para a própria sobrevivência e para o desenvolvimento local, a distância do poder central e a certeza de estar lançado à própria sorte, tenham sido fatores preponderantes para dotar a região de forte sentimento autonomista consolidado no tempo, que, mesclado aos sentimentos conspiratórios e revolucionários das gentes das minas, evoluiu para manifestações de emancipação político-administrativa da região em vários momentos de sua evolução.

Pouco mais de dois séculos se passaram e o Sertão da Farinha Podre transformou-se no poderoso Triângulo Mineiro. E Uberaba é protagonista de primeira linha neste processo de edificação transformadora: próspera, tornou-se a primeira referência econômica regional e a principal base de sustentação dos novos tempos que surgiam, assegurada pela estratégica posição geográfica e reforçada, depois, pela estrada de ferro Mogiana.
Hoje, ao lado de outras importantes comunas triangulinas, Uberaba é cidade com traçados urbanos planejados, moderna e em franco desenvolvimento. Com reconhecida liderança no agronegócio, na pecuária destaca-se a excelência conquistada na criação zebuína, diversificado parque industrial e tecnológico com enorme potencial, e sólido comércio, a cidade apresenta índice de desenvolvimento humano próximo ao dos países de Primeiro Mundo.

Os setores educacional e cultural têm crescente participação e presença social, com destaque para as suas instituições universitárias.

A caminhada dos pioneiros foi um lento processo de ascensão social e econômico da região. Mostrou-nos que a brutalidade sertaneja inicial cedeu lugar a uma refinada elite produtora, cuja vitalidade e capacidade mobilizadora impulsionaram o desenvolvimento local e regional, e hoje tem forte presença na economia do país. Daqueles tempos de outrora, prevalece o empreendedorismo nos seus mais variados setores, sendo motivo de generalizada admiração.

A história de Uberaba é uma história de superações, conquistas e realizações, que honra seus protagonistas e estimula as atuais e futuras gerações a manter a ousadia, a coragem e a visão de futuro como traços permanentes de uma trajetória vitoriosa!

Parabéns, Uberaba, pelos seus 204 anos!

 Luiz Claudio

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