A Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) realiza, entre os dias 22 e 24 de abril, em Uberaba, a terceira edição do Abril Indígena, evento que reúne estudantes, lideranças indígenas, professores e comunidade em geral em uma programação voltada à valorização das culturas dos povos originários, ao debate sobre reparação histórica e ao fortalecimento do empoderamento indígena.
O Abril Indígena foi criado há três anos por iniciativa do indígena Japoteru Pataxó, em parceria com a professora Cris Pauline, com o objetivo de ampliar a visibilidade dos povos indígenas dentro da universidade e promover a troca de saberes entre conhecimentos tradicionais e acadêmicos. Desde então, o evento se consolidou como um espaço de protagonismo indígena e diálogo intercultural.
A programação inclui mesas-redondas, rodas de conversa, oficinas e atividades culturais. A abertura oficial ocorre no dia 22, no Auditório Turmalina, reunindo lideranças indígenas, docentes e representantes institucionais para discutir o empoderamento indígena e o enfrentamento à discriminação. Ao longo dos três dias, também estão previstas oficinas de grafismo, literatura, artesanato e educação continuada, além de uma exposição fotográfica de cerâmica indígena.
Entre os destaques está a mesa-redonda “Direito à Reparação dos Povos Indígenas”, no dia 23, no Auditório Safira, que propõe reflexões sobre justiça histórica, memória e os desafios contemporâneos enfrentados por essas populações. No mesmo dia, haverá o lançamento do livro “Maracá Militante: A Alma de um Povo”, com participação de autores indígenas.
A programação se encerra no dia 24 com uma noite cultural em Peirópolis, que reúne contos, cantos, danças tradicionais e atividades coletivas, promovendo um encontro entre culturas e experiências. A proposta é ampliar o contato direto do público com práticas e saberes indígenas.
De acordo com o professor de Psicologia da UFTM, Henrique Pompermaier, o debate sobre reparação histórica envolve ações concretas por parte da sociedade. “Trata-se de, como sociedade, implementarmos um conjunto de medidas destinadas a reconhecer, corrigir e compensar injustiças estruturais sofridas pelos povos indígenas ao longo da colonização e da formação do Estado brasileiro”, afirma.
Segundo ele, essas medidas passam pelo reconhecimento público de violações de direitos, pela valorização de saberes tradicionais e pela implementação de políticas públicas específicas. A demarcação e proteção de terras, indenizações por danos históricos e ações de preservação cultural também fazem parte desse processo.
Pompermaier destaca ainda que o empoderamento indígena está relacionado ao fortalecimento da autonomia política, cultural e epistemológica desses povos. “Trata-se de garantir não apenas a participação, mas o protagonismo de pessoas indígenas nos diferentes espaços de planejamento e decisão”, explica.
Para o professor, as universidades têm papel central nesse processo, ao contribuir para a valorização e difusão dos saberes indígenas. “As universidades têm um papel fundamental em investigar, divulgar e trabalhar junto às comunidades para garantir que esses saberes e fazeres sejam preservados e utilizados para o enfrentamento de problemas que nos afligem hoje, como sociedade”, diz. As inscrições para o evento estão abertas e podem ser feitas através deste link.