O QUE VAI SER?

Controle de cães e gatos avança lentamente em Uberaba apesar de TAC com o Ministério Público

Acordo prevê chipagem e castrações permanentes, mas estrutura limitada dificulta execução

Débora Meira
Publicado em 21/04/2026 às 16:13
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A implantação de políticas de controle populacional de cães e gatos em Uberaba é alvo de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público de Minas Gerais, que prevê, entre outras medidas, a identificação dos animais e a realização contínua de castrações. Apesar disso, o município ainda enfrenta dificuldades para avançar nessas ações. A reportagem acionou a Prefeitura para esclarecer o cumprimento das obrigações previstas no acordo, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria, e o espaço segue em aberto para manifestação.  

Em recente entrevista à Rádio JM, o vereador Diego Rodrigues (PDT) apontou a implantação de um sistema de identificação por microchip como uma das principais estratégias para enfrentar o problema. Segundo ele, a medida permitiria responsabilizar tutores e organizar melhor as políticas públicas voltadas ao bem-estar animal. 

De acordo com o TAC, o município deve implantar mecanismos de identificação de cães e gatos, além de manter ações permanentes de esterilização, campanhas educativas e controle da população animal. No entanto, na prática, as iniciativas ainda esbarram em limitações estruturais e operacionais. 

Entre os principais desafios, o vereador destacou a baixa capacidade dos mutirões de castração. “A gente não consegue alcançar números maiores tão cedo. No ano passado foram dois mutirões, com cerca de mil animais em cada”, afirma. 

Atualmente, a maior parte das castrações atende animais de famílias cadastradas em programas sociais e de protetores independentes. Já os animais errantes dependem, em grande parte, da atuação voluntária. “Algumas exceções são as colônias de gatos, mas sempre com apoio de protetores, que assumem o pós-operatório”, explica. 

Outro ponto previsto no acordo com o Ministério Público é a criação de estrutura adequada para manejo e acolhimento temporário dos animais, o que ainda não foi plenamente implementado no município. “Enquanto não tivermos um local para esse tipo de manejo, não há como falar em controle populacional”, disse o vereador. 

Ele também mencionou o modelo de captura, esterilização e devolução, utilizado especialmente no manejo de gatos de rua, mas que enfrenta entraves pela falta de estrutura para o período pós-operatório em Uberaba. 

Sobre recursos, Diego Rodrigues informou que destinou cerca de R$ 200 mil em emenda para viabilizar um mutirão adicional. Ainda assim, avalia que o orçamento da Superintendência de Bem-Estar Animal é limitado, concentrado principalmente em castrações e convênios. 

A possibilidade de mapear colônias de gatos também foi debatida, mas, segundo o vereador, a rápida reprodução dos animais dificulta a atualização dos dados. “Você faz um levantamento hoje, em pouco tempo ele já não reflete mais a realidade”, afirmou. 

Apesar das propostas, o cenário evidencia um descompasso entre o que foi pactuado no TAC e a execução das políticas públicas no município. A expectativa é que medidas como a chipagem, ampliação das castrações e criação de estrutura adequada avancem para que as metas estabelecidas possam, de fato, ser cumpridas. 

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