A Fundação Ezequiel Dias (Funed) alertou para a antecipação da fase epidêmica da gripe em Minas Gerais em 2026, com aumento mais precoce da circulação do vírus Influenza A. O cenário, que já pressiona serviços de saúde em outras regiões do estado, também acende atenção para cidades do interior, como Uberaba.
Segundo a Funed, entre o fim de março e o início de abril deste ano, a taxa de positividade dos testes de influenza já atingiu cerca de 20%, ou seja, a cada 100 exames realizados, aproximadamente 20 confirmam a infecção. Em 2025, esse mesmo patamar só foi registrado semanas mais tarde, no mês de maio.
Segundo o médico infectologista Rodrigo Molina o comportamento da doença indica uma circulação mais intensa e antecipada do vírus neste ano, o que exige reforço na vigilância e na organização da rede de saúde. “Eles estão alertando que a gripe começou a circular com mais intensidade mais cedo neste ano em Minas Gerais. Isso leva a um alerta para vigilância, antecipação da vacinação e organização de toda a rede assistencial”, afirma.
O especialista destaca que o movimento observado no estado também deve ser sentido em cidades do interior. “Em Uberaba a gente já vê mobilização da rede, com ampliação do acesso à vacinação, mostrando uma preocupação concreta com o aumento da circulação viral”, disse.
Molina também aponta que as características climáticas do Triângulo Mineiro contribuem para a disseminação de vírus respiratórios neste período de transição para o outono. “É uma época em que o tempo começa a ficar mais seco, com variação de temperatura entre o dia e a noite. Isso favorece a permanência em ambientes fechados e aumenta a circulação de vírus respiratórios”, explica.
O infectologista reforça que idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos estão entre os grupos que exigem maior atenção. Entre os sinais de alerta estão falta de ar, febre persistente, piora do estado geral, sonolência em idosos, dificuldade de alimentação em crianças e queda de saturação. “Esses são sinais que exigem atenção imediata”, destaca.
Outro ponto de preocupação é a circulação simultânea da Influenza A e do vírus sincicial respiratório (VSR), que pode provocar aumento na demanda por atendimentos, especialmente pediátricos. “Quando esses vírus circulam ao mesmo tempo, há aumento da demanda por internação e atendimento de pacientes mais vulneráveis. Isso pode pressionar bastante a rede de saúde”, afirma Molina.
Segundo ele, o cenário preocupa especialmente por conta da dependência regional de serviços hospitalares de referência no Triângulo Mineiro.
O médico reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra casos graves e mortes por gripe. “A influenza não é só um resfriado. Pode evoluir para quadros graves, inclusive insuficiência respiratória. A vacina é a principal forma de prevenção”, disse.
Ele também esclarece um ponto comum de desinformação: a vacina não causa gripe. “O vírus presente na vacina está inativado. O que pode acontecer é coincidência com outro vírus ou infecção já em andamento”, explica.
A Secretaria de Estado de Saúde reforça ainda medidas básicas de prevenção, como higienização das mãos, evitar ambientes fechados e manter a vacinação em dia, especialmente entre os grupos prioritários.