O peso do aluguel no orçamento familiar é um dos principais problemas habitacionais de Uberaba. O Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS), versão 2026, aponta 10.309 domicílios em situação de déficit habitacional quantitativo no município. Desse universo, 5.229 famílias enfrentam o comprometimento excessivo da renda com o pagamento do aluguel, situação que dificulta o custeio de outras despesas e o acesso à casa própria.
A falta de moradia adequada, porém, não se resume a quem precisa de um imóvel. O diagnóstico também identifica 9.576 domicílios que necessitam de reformas, ampliações ou correções de problemas construtivos. É o chamado déficit habitacional qualitativo, que considera as condições das casas já existentes. Na prática, o desafio envolve tanto encontrar uma solução de moradia quanto garantir que o imóvel ofereça condições adequadas para quem vive nele.
Outra parte desse cenário aparece nos registros da Companhia Habitacional do Vale do Rio Grande (Cohagra), que reúne 6.974 famílias na base apresentada. O perfil dos cadastrados mostra que a busca por moradia envolve, em muitos casos, famílias com crianças, pessoas com deficiência e outros integrantes que dependem de cuidados. Em 74% dos registros, a mulher é responsável pela família; em 57,7%, há crianças ou adolescentes, e em 33,2% há pessoas com deficiência.
As dificuldades também incluem questões de saúde e situações de vulnerabilidade social. Segundo a base da Cohagra, 30,4% das famílias cadastradas têm integrantes com câncer ou doenças raras, crônicas ou degenerativas. Há ainda 160 famílias com mulheres vítimas de violência doméstica e familiar e 63 que vivem em áreas de risco. Esses dados ajudam a mostrar que a procura por habitação pode estar associada a outras necessidades que tornam a busca por condições dignas de moradia ainda mais urgente.
O tempo de espera é outro ponto que chama a atenção. Entre os cadastrados, 2.406 famílias estão na base da Cohagra há mais de oito anos, o equivalente a 34,5% do total informado. Isso não significa que todas estejam na mesma situação ou tenham direito automático a uma unidade habitacional, mas revela que uma parcela expressiva aguarda há longo período por uma oportunidade de atendimento.
É importante distinguir os dois conjuntos de informações. Os números do déficit quantitativo e qualitativo são indicadores do diagnóstico habitacional do município, enquanto os dados sobre composição familiar, saúde e tempo de inscrição dizem respeito à base apresentada pela Cohagra. Portanto, o cadastro não representa necessariamente todas as famílias que enfrentam dificuldades para conseguir uma moradia em Uberaba.