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Antigo cemitério, chácara e mulher de branco: conheça lendas urbanas de Uberaba

Relatos de vozes e aparições, histórias ligadas à escravidão e a figura da noiva fantasma alimentam o imaginário popular da cidade

Débora Meira
Publicado em 31/10/2026 às 08:09
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 (Foto/Divulgação)

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Alguns lugares de Uberaba carregam histórias que vão além de sua arquitetura ou importância histórica. Na região da Praça Frei Eugênio, onde funcionou o primeiro cemitério da cidade, relatos de vozes e aparições atravessam gerações. Já a Chácara do Mirante é associada a histórias de assombração ligadas à escravidão. Entre as narrativas populares também está a figura da mulher de branco, conhecida como noiva fantasma.  

As histórias misturam acontecimentos documentados, rumores e versões transmitidas por moradores. Embora não haja comprovação de fenômenos sobrenaturais, as narrativas continuam despertando curiosidade e fazem parte da memória cultural de Uberaba.  

Escola Estadual Minas Gerais e os mistérios do antigo cemitério  

A Escola Estadual Minas Gerais está localizada em uma região marcada pela história de Uberaba. Nas proximidades da Praça Frei Eugênio funcionou o primeiro cemitério da cidade, que recebeu sepultamentos entre 1856 e 1900.  

A existência do antigo campo-santo é documentada, mas a área também se tornou cenário de histórias populares. Uma das versões mais conhecidas afirma que restos mortais ainda estariam enterrados nas proximidades e que o próprio Major Eustáquio, considerado fundador de Uberaba, teria sido sepultado dentro da escola.  

Relatos de vozes e aparições também são associados ao espaço. Em reportagem publicada pelo JM Online em 2022, estudantes contaram histórias sobre barulhos de correntes, gritos, portas que se abriam sozinhas e luzes que piscavam. Os relatos, porém, não comprovam a existência de manifestações sobrenaturais.  

A história da região tem registros que ajudam a entender a origem dessas narrativas. Durante uma reforma no complexo da Praça Frei Eugênio, por volta da década de 1990, trabalhadores encontraram ossos humanos durante escavações para a construção de um parquinho. Segundo relato do engenheiro civil Carlos Leal Manzan, ouvido pelo JM Online, a obra foi interrompida e os restos mortais foram encaminhados para um local adequado.  

O episódio reforçou a ligação entre a região e o antigo cemitério, mas não comprova as versões de que ossadas continuariam espalhadas pelos terrenos ou de que Major Eustáquio estaria enterrado dentro da escola.  

Os relatos de assombração na Chácara do Mirante  

Construída na segunda metade do século XIX, a Chácara do Mirante já foi uma fazenda e está entre os imóveis históricos de Uberaba. A propriedade teve importância na atividade agropecuária da região e foi uma das pioneiras na introdução do gado zebu.  

Com o passar dos anos, o casarão também passou a ser associado a histórias de assombração. Entre os boatos estão relatos de choros no porão, barulhos de correntes e passos durante a noite. Uma das versões afirma que restos mortais de pessoas escravizadas estariam enterrados no local.  

A historiadora Aparecida Manzan, entretanto, questionou essa narrativa em entrevista publicada pelo JM Online em 2020. Segundo ela, é necessário distinguir as duas construções que existiram na propriedade. 

A casa que permanece de pé foi construída no final do século XIX, depois da abolição da escravidão. Antes dela, havia um casarão mais simples, de um pavimento, pertencente à família Delfino Gomes. Nesse imóvel anterior, de acordo com a historiadora, houve pessoas escravizadas.  

Manzan também afirmou não haver comprovação de que restos mortais estejam enterrados no porão da construção atual ou de que pessoas escravizadas tenham sido mantidas no curral da propriedade.  

A pesquisadora explicou que histórias de choros, correntes e pedidos de socorro aparecem em narrativas relacionadas a antigas fazendas onde houve escravidão. Essas histórias, porém, não devem ser confundidas com provas de acontecimentos específicos na Chácara do Mirante.  

A mulher de branco ou noiva fantasma  

Outra figura recorrente nas histórias de mistério é a mulher de branco, também conhecida como noiva fantasma. A personagem aparece em narrativas populares de diferentes lugares e costuma ser associada a estradas, construções antigas e locais marcados por histórias de mortes trágicas ou amores interrompidos.  

Em Uberaba, a figura foi mencionada pela doutoranda em História Social Amanda Oliveira em entrevista ao JM Online, publicada em março de 2026. A pesquisadora citou a mulher de branco entre as narrativas que circulam no imaginário popular da cidade.

Não há, na referência, um endereço específico ou uma única versão local da história. A personagem, entretanto, mostra como elementos conhecidos do folclore e das narrativas de assombração também são incorporados aos relatos transmitidos entre moradores.  

Para Amanda Oliveira, as lendas urbanas funcionam como patrimônio cultural e expressão simbólica da comunidade. Ao falar sobre fantasmas e assombrações, as pessoas também dão forma a medos, tragédias e conflitos que permanecem na memória coletiva.  

A pesquisadora explica que essas histórias podem começar a partir de fatos reais ou rumores e ganhar novos detalhes conforme são recontadas. O medo, a curiosidade e o mistério ajudam a manter as narrativas vivas, mesmo quando não existe comprovação dos acontecimentos.  

A circulação também mudou com o tempo. Se antes os relatos eram transmitidos principalmente em conversas familiares, no rádio e nos jornais, hoje encontram espaço em vídeos, podcasts, redes sociais e grupos de mensagens.  

Em Uberaba, histórias relacionadas a antigos espaços de sepultamento, construções históricas e personagens misteriosos continuam atravessando gerações. Entre registros históricos e imaginação popular, elas ajudam a contar um lado curioso da memória da cidade. 

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