Oftalmologista explica por que “esticar o braço” para ler é sinal clássico e alerta que clima quente e alterações hormonais podem piorar ardência e visão embaçada

O problema tende a piorar na pré e pós-menopausa devido à queda hormonal (Foto/Divulgação)
A partir dos 40 anos, a visão de perto tende a perder o foco e muita gente passa a “esticar o braço” para conseguir ler, sinal clássico da presbiopia. Nessa mesma fase, também se torna mais comum a síndrome do olho seco, que provoca ardência, sensação de areia, vermelhidão e visão embaçada. Ao Pingo do J, a oftalmologista Graziela Massa afirma que alterações hormonais, especialmente nas mulheres, e o clima quente e seco da região favorecem o surgimento de sintomas.
Segundo a médica, a presbiopia ocorre pela perda natural da capacidade de acomodação do olho, ou seja, a mudança de foco entre longe e perto vai ficando mais lenta com o envelhecimento. “A correção inicial é feita com óculos, mas existem procedimentos a laser e, em fases mais avançadas, a cirurgia de catarata com implante de lentes intraoculares pode reduzir a dependência dos óculos”, explica.
Já em relação ao olho seco, a especialista explica que há dois tipos principais: por falta de produção de lágrima e o evaporativo, que é o mais comum. “Muitas pessoas dizem que o olho vive lacrimejando e não entendem como podem ter olho seco. Mas, no tipo evaporativo, a lágrima existe, só que não funciona bem”, esclarece.
“Entre os sintomas estão ardência, queimação, coceira, olho vermelho e embaçamento visual transitório. O problema tende a piorar na pré e pós-menopausa devido à queda hormonal, especialmente do estrogênio, que interfere na qualidade da lágrima”, ressalta.
A oftalmologista destaca que o uso excessivo de telas também contribui para o problema, pois reduz a frequência do piscar, movimento essencial para renovar e distribuir a lágrima sobre os olhos. Além disso, fatores como ventiladores e ar-condicionado, bastante utilizados na região, favorecem a evaporação da lágrima e agravam os sintomas.
Conforme a especialista, o tratamento varia conforme a gravidade. “Pode incluir higiene específica das pálpebras, uso de colírios lubrificantes e, em casos mais intensos, laser ou até plugue lacrimal, pequeno dispositivo inserido no canal da lágrima para reter a lubrificação por mais tempo”, destaca.
Apesar do desconforto, a médica ressalta que o risco de cegueira é raro e ocorre apenas em casos muito graves e sem tratamento adequado. Ela também alerta que não é recomendado lavar o interior dos olhos com água da torneira, devido ao risco de infecções.