Porta-Voz reúne dezenas de autos por falta de limpeza de passeios no mês, em meio ao aumento de queixas sobre sujeira e abandono em diferentes bairros
Março concentra a maior parte das autuações por falta de limpeza em calçadas e passeios em Uberaba no primeiro trimestre de 2026. Publicações recentes no Porta-Voz reúnem dezenas de autos de infração relacionados à sujeira em imóveis, reforçando a cobrança da Codau de que a manutenção dos passeios é responsabilidade do proprietário, que pode ser multado caso não regularize a situação dentro do prazo legal.
Enquanto as queixas de mato alto se espalhavam por Uberaba na mesma rapidez com que a vegetação avançava sobre calçadas e passeios, a fiscalização andava no sentido contrário. Em janeiro, levantamento do Jornal da Manhã mostrou que, apesar dos alertas da Codau, não havia autos de infração referentes a ocorrências daquele mês por falta de limpeza em calçadas. As penalidades publicadas até então diziam respeito, majoritariamente, a registros feitos entre julho e dezembro de 2025.
O cenário começa a mudar em março, quando o Diário Oficial passa a concentrar a maior parte das publicações do trimestre. Na edição de 4 de março, aparecem autos por “limpeza do passeio” que já incluem infrações lavradas em 2026, embora ainda misturados a casos antigos. Na segunda quinzena, novos registros referentes a ocorrências de fevereiro reforçam a impressão de retomada da fiscalização, ainda que parte das publicações continue ligada a um estoque represado de processos. O movimento coincide com o aumento das reclamações sobre mato alto em diferentes regiões da cidade.
Nas últimas semanas, o problema voltou a ganhar força no noticiário e nas manifestações de moradores, om críticas ao abandono de calçadas, terrenos e vias públicas. Em uma das situações mais simbólicas, uma frase pintada em muro escancarou o incômodo da população com mato alto e buracos, num retrato do desgaste de quem convive diariamente com a falta de manutenção urbana.
A Codau sustenta que a limpeza dos passeios é dever do proprietário e que a negligência pode resultar em notificação e multa. Ao mesmo tempo, o município também tenta responder à pressão com serviços de roçada em áreas públicas e pontos considerados prioritários, sobretudo no período chuvoso, quando o crescimento do mato acelera e amplia as reclamações. Paralelo a isso, crescem também as críticas da falta de manutenção e limpeza em passeios e calçadas de imóveis do Município, como é o caso do Bosque Jacarandá. No local, o mato avança mais do que a limpeza urbana consegue conter, sem que haja qualquer notificação oficial ou tomada de providência.
O debate ainda esbarra em outra limitação: a capina química segue proibida em Uberaba por decisão judicial transitada em julgado, devido aos riscos ambientais e à possibilidade de contaminação do solo. Na prática, o morador continua proibido de recorrer ao uso de herbicidas para secar o mato, mas segue responsável por manter a calçada limpa.
No balanço do primeiro trimestre, o que se vê é uma inversão parcial do cenário observado no começo do ano: as autuações finalmente começam a aparecer com mais força no Porta-Voz, especialmente em março, mas ainda convivem com a defasagem entre a data da infração e a publicação oficial. Em uma cidade onde o mato alto já virou reclamação recorrente, o desafio segue sendo fazer a fiscalização acompanhar, com mais agilidade, a realidade percebida nas ruas.