Em Uberaba, a realidade do banco de sangue tem gerado preocupação entre familiares de pacientes oncológicos. O baixo estoque gera atrasos no tratamento, que muitas vezes precisa aguardar a chegada de bolsas de sangue de outras cidades.
Conforme apuração da reportagem do Jornal da Manhã, atualmente, a unidade recebe cerca de 40 doadores diários, número insuficiente para atender à demanda mínima de 70 doações por dia. A consequência desse déficit é grave, pois compromete atendimentos e gera atrasos nos tratamentos de radioterapia.
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Especialista em tratamento oncológico diz que para pacientes em tratamento contra o câncer, como aqueles que passam por quimioterapia e radioterapia, a transfusão sanguínea é essencial. A baixa disponibilidade de sangue pode comprometer a continuidade dos protocolos médicos e afetar diretamente a recuperação dos pacientes. Em muitos casos, a espera pela reposição adequada faz com que sessões de radioterapia sejam canceladas, agravando ainda mais a luta contra a doença.
A situação é vivenciada diariamente por inúmeras famílias. “Minha irmã é paciente oncológica e enfrenta uma triste espera por sangue compatível. Muitas vezes, as bolsas vêm de outras cidades, e há dias em que ela precisa voltar para Sacramento sem receber a transfusão e sem fazer a radioterapia. Isso poderia ser evitado com um esforço municipal para aumentar as doações”, relata um familiar que acompanha de perto essa realidade.
O problema não é exclusivo de Uberaba. De acordo com o Ministério da Saúde, menos de 2% da população brasileira doa sangue regularmente, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um índice de pelo menos 3% a 5% para manter os estoques em níveis seguros.
Para a familiar da paciente de Sacramento, diante desse cenário preocupante, é fundamental que a comunidade se mobilize para aumentar as doações. Especialistas alertam que qualquer pessoa saudável entre 16 e 69 anos pode doar sangue, desde que cumpra os requisitos básicos de saúde. Doar é um processo rápido e seguro, que pode salvar inúmeras vidas.
Paciente em tratamento de um linfoma, um tipo de câncer no sangue, Thaynara Ribela avalia como é importante a realização de uma campanha municipal de incentivo à doação de sangue, que pode ser uma solução eficaz para reverter essa situação. Empresas, escolas e órgãos públicos podem se engajar em ações de conscientização para ampliar o número de doadores regulares.
“Hoje não faço mais quimioterapia. Infelizmente, meu câncer voltou e agora estou em outro tipo de tratamento, a imunoterapia. Diferente da quimioterapia, a imunoterapia não afeta diretamente a medula óssea, que é responsável pela produção das células sanguíneas. Mas, enquanto fazia quimioterapia, precisei de transfusão de plaquetas duas vezes. Em muitos casos essa transfusão é essencial para que o tratamento possa continuar, e o corpo não espera”, relatou Thaynara.
“Vou fazer um transplante de medula óssea, a doação também é muito importante”, completou.
O banco de sangue local atende de segunda a sábado e precisa de doadores de todos os tipos sanguíneos, especialmente dos tipos O Negativo e A Negativo, mais difíceis de encontrar. Para doar, basta estar em boas condições de saúde, ter mais de 50 quilos, idade entre 16 e 69 anos, apresentar um documento com foto e seguir as orientações médicas.