O Carnaval é período de festa para os tutores, mas pode representar estresse, riscos à saúde e até acidentes para cães e gatos. Alterações na rotina, excesso de barulho, calor e alimentação inadequada estão entre os principais fatores que comprometem o bem-estar dos animais nessa época. O alerta é da médica-veterinária Alice Cristina Maciel, especialista em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais e preceptora do setor de clínica cirúrgica do Hospital Veterinário da Uniube.
Segundo a profissional, cães e gatos são altamente sensíveis a mudanças no ambiente doméstico. Durante o feriado, visitas frequentes, som alto, ausência dos tutores e horários irregulares de alimentação e passeio podem desencadear ansiedade, medo e até queda da imunidade. Entre os sinais de estresse mais comuns estão tremores, respiração ofegante sem esforço físico, comportamento de se esconder, agressividade repentina, vocalização excessiva, vômitos, diarreia e perda de apetite. Os gatos, por serem mais territorialistas, tendem a sofrer ainda mais com essas alterações.
A alimentação também exige cuidado. Muitos alimentos típicos de confraternizações são tóxicos para os animais, como chocolate, uvas, uvas-passas, cebola, alho e doces com xilitol. Frituras e comidas gordurosas podem provocar pancreatite, enquanto bebidas alcoólicas causam intoxicação neurológica. Mesmo quando não há токсidade, oferecer alimentos fora da dieta habitual pode resultar em distúrbios gastrointestinais e agravamento de doenças preexistentes.
Para quem vai viajar, o planejamento é essencial. A recomendação é manter vacinas e vermifugação em dia, garantir transporte adequado, levar água fresca, a ração habitual e objetos que tenham o cheiro de casa, ajudando na adaptação. Levar o pet é indicado apenas quando o destino for tranquilo e sem agitação. Em locais com festas, som alto ou grande circulação de pessoas, o mais seguro é deixá-lo sob os cuidados de alguém de confiança. No caso dos gatos, permanecer em casa costuma ser menos estressante do que enfrentar deslocamentos.
Ambientes com aglomeração e música intensa não são recomendados para os animais, pois podem provocar medo, fugas, crises de pânico e até hipertermia. Para protegê-los do calor, é importante evitar passeios nos horários mais quentes, manter água disponível, garantir locais arejados e oferecer um espaço silencioso onde o pet possa se recolher. Estratégias de enriquecimento ambiental, como brinquedos e atividades, também ajudam a reduzir o estresse.
Em caso de ingestão de alimento tóxico, a orientação é procurar atendimento veterinário imediatamente, sem medicar o animal por conta própria. Situações como convulsões, desmaios, vômitos intensos, presença de sangue nas fezes, dificuldade respiratória ou suspeita de intoxicação exigem assistência urgente.
A especialista reforça que, assim como as pessoas, os pets precisam de um ambiente seguro para atravessar o feriado com tranquilidade e que prevenção continua sendo a melhor forma de garantir um Carnaval sem sustos também para os animais.

(Foto/Reprodução)