A história do Carnaval no Brasil está ligada à colonização portuguesa, no século XVII, e se manifestou inicialmente por meio do entrudo, brincadeira popular que consistia em jogar líquidos e sujar os participantes das ruas. Com o tempo, a festa ganhou outras formas, como bailes de máscaras, e o surgimento das sociedades carnavalescas contribuiu para a popularização da celebração entre as camadas mais pobres. Para o professor de história Sergio Prates Lima, o Carnaval reflete tradição, cultura e identidade coletiva, atravessando séculos e se renovando a cada geração.
Conforme o historiador, o entrudo era muito popular e até a família real brasileira participava. Com o tempo, surgiram bailes, blocos de rua e, posteriormente, o samba e os desfiles de escolas, transformando o Carnaval em uma manifestação cultural organizada que mantém sua essência popular.
O entrudo incluía diferentes práticas, como o jogo das molhadelas, em que recipientes eram preenchidos com água aromatizada, farinha, café ou até urina para jogar nos transeuntes. “Era uma festa do povo, mas que desagradava a elite, que tentava regular e até proibir a prática por meio de decretos e campanhas na imprensa”, explica.
No século XIX, a elite também criou os primeiros bailes de Carnaval, em clubes e teatros, com música como polcas, enquanto a folia popular continuava nas ruas. O historiador ressalta que, a partir do século XX, a festa ganhou destaque com o samba, os desfiles das escolas e os blocos de rua, consolidando o Carnaval como manifestação cultural organizada e popular.
O Carnaval se transformou ainda em atividade econômica relevante, com o Rio de Janeiro e Salvador se destacando. “No Rio, os desfiles das escolas se profissionalizaram na década de 1960, com investimento de empresários e infraestrutura. Em Salvador, o trio elétrico surgiu em 1950, com Dodô e Osmar usando um caminhão adaptado para instrumentos amplificados, evoluindo com Morais Moreira em 1979 e ganhando espaço em todo o país”, ressalta Lima.
Hoje, o Carnaval brasileiro é diverso e reflete a pluralidade cultural do país. No Sudeste, predominam os desfiles das escolas de samba e blocos de rua; no Nordeste, trios elétricos, frevo, maracatu e os bonecos gigantes de Olinda são tradições centenárias. “O Carnaval preserva memórias, saberes populares e formas de resistência, mantendo viva a identidade coletiva do Brasil”, conclui o professor.
Além de cultura e tradição, o Carnaval movimenta bilhões na economia, considerando turismo, serviços, comércio e produção de fantasias e adereços. Somente no Rio, a previsão para 2026 é de R$ 5,7 bilhões; em Salvador, R$ 2 bilhões, com ocupação hoteleira próxima de 97% e impacto em dezenas de setores econômicos. Em Uberaba, o evento Tom Maior na Terra de Gigantes, que segue até o dia 17 de fevereiro na Avenida dos Advogados, deve gerar cerca de 200 empregos diretos por dia e impactar aproximadamente 1.200 trabalhadores de forma indireta, com público esperado de 5 mil pessoas por dia.
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