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Cérebro infantil “absorve” idiomas com mais facilidade até os 6 anos, explica neurologista

Período de maior neuroplasticidade favorece aprendizado natural e traz ganhos cognitivos; família e rotina de exposição fazem diferença

Juliana Corrêa
Publicado em 02/02/2026 às 20:06
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Enquanto muitos adultos travam diante de uma nova língua, crianças pequenas parecem aprender idiomas com uma naturalidade quase automática. Isso não é acaso nem “dom raro”: tem relação direta com o funcionamento do cérebro na primeira infância e com o momento em que esse contato acontece, explica a neurologista Christiane Borges Margato. Segundo ela, quanto mais cedo a exposição a outras línguas, maiores tendem a ser os benefícios cognitivos.

Segundo a neurologista, a primeira infância é marcada por um período intenso de formação de conexões neurais. “De zero a seis anos temos um período de grande neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do sistema nervoso criar novas conexões e aprendizados é maior, assim a criança aprende idiomas sem necessidade de ‘tradução simultânea’, ela absorve essas palavras com significados próprios como se fosse sua língua-mãe”, explica. Nessa fase, o cérebro infantil reconhece sons, estruturas e significados de forma natural, diferente do que ocorre na vida adulta.

Essa facilidade ajuda a entender por que crianças aprendem línguas com mais fluidez do que adultos. Após os 10 anos, em média, o aprendizado tende a se aprofundar em regras gramaticais, sintaxe e estruturas mais complexas. Ainda assim, o período antes dos seis anos é considerado o mais favorável, segundo Christiane. A lógica é simples: quanto mais cedo, melhor.

Sobre o número de idiomas, a neurologista afirma que não existe um limite rígido, desde que haja bom senso e uma estratégia coerente de exposição. A recomendação é priorizar línguas com as quais a criança tenha contato frequente ou alguma ligação cultural e familiar. Idiomas do lugar onde a criança vive, línguas de antepassados e aqueles de uso internacional, como inglês e francês, podem contribuir tanto para a construção de identidade quanto para a preparação para o futuro. Nesse processo, ela chama atenção para um cuidado: evitar misturar idiomas ao mesmo tempo, para não gerar confusão durante a aprendizagem.

O ambiente familiar, segundo a neurologista, tem papel decisivo para transformar o estudo em algo constante e prazeroso. Reforço positivo, elogios e interesse real pelo que a criança aprende funcionam como estímulos importantes. Atitudes simples, como perguntar o significado de palavras, pedir que a criança mostre como se diz algo em outro idioma e oferecer acesso a músicas, filmes e histórias na língua estudada, ajudam a manter o engajamento.

Para a neurologista, investir nesse tipo de estímulo vai além do idioma em si e impacta diretamente o desenvolvimento global da criança. “Introduzir nossas crianças em interesses que geram um bom desenvolvimento cognitivo é fundamental para que tenhamos adultos saudáveis e cada vez mais inteligentes”, ressalta a especialista.

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