
(Foto/Ilustrativa)
Após ganharem força em dezembro, as chuvas devem se manter ao longo de janeiro, fevereiro e pelo menos até a primeira quinzena de março de 2026, segundo a climatologista Wanda Prata. Em entrevista ao programa Pingo do J, ela explicou que o período será importante para a recuperação parcial do lençol freático, bastante afetado pela estiagem severa registrada em 2025.
De acordo com a especialista, o chamado “ano climatológico” termina entre o fim de março e o começo de abril, quando as chuvas tendem a cessar. A partir daí, o cenário volta a preocupar: a previsão indica uma nova estiagem, possivelmente mais prolongada, quente e seca. Wanda alerta que, apesar da recuperação momentânea das águas, ainda é incerto se o volume será suficiente para atravessar o próximo período seco sem impactos mais severos. “Agora que está começando com essa chuva e com as próximas que vão vir no final do mês, é que vamos ter uma recuperação. Assim mesmo, eu não sei quanto tempo de água armazenada vai ficar para aguentar a próxima estiagem, mas pode crer que ela será bastante quente e bastante seca”, alertou.
A climatologista explica que as chuvas recentes têm ocorrido de forma irregular, influenciadas por ciclones extratropicais e por alterações no comportamento das massas de ar frio vindas do Polo Sul. Esse padrão tem provocado precipitações mal distribuídas, em que chove intensamente em uma região e pouco ou nada em áreas vizinhas, um sinal claro de mudança no regime climático.
Outro ponto de atenção é o aumento consistente das temperaturas. Segundo Wanda Prata, Minas Gerais já registra índices de dois a três graus acima da média histórica, e a tendência é de mais aquecimento nos próximos anos. Em Uberaba, ela destaca que, até poucos anos atrás, as temperaturas raramente ultrapassavam os 38 graus, mas que, recentemente, chegaram a 41 graus, acompanhadas de umidade relativa do ar extremamente baixa.
“Uberaba nunca tinha passado de 38 graus. Mas, no ano passado, chegou a 41 graus. E a umidade do ar atingiu 12%. Isso é muita coisa. Recentemente, tivemos 15% de umidade relativa, o que para nós é péssimo, porque o ar tem água e a gente precisa dessa água para manter o corpo. Além de beber, a gente respira essa água, que é a que vai oxigenar todos os nossos órgãos”, explicou.
Diante desse cenário, a climatologista faz um alerta às autoridades e à população sobre a necessidade de planejamento e medidas preventivas, especialmente no que diz respeito à reservação de água. Para ela, o comportamento do clima em 2026 reforça a urgência de adaptação, já que as próximas gerações devem enfrentar dificuldades cada vez maiores com o calor extremo e a escassez hídrica.