A Prefeitura de Uberaba não pretende revisar o contrato de concessão do Terminal Rodoviário de Uberaba, Jurandyr Cordeiro, apesar das sucessivas reclamações sobre insegurança no seu entorno. Em resposta ao Jornal da Manhã, o município informou que mantém fiscalização permanente sobre a Ubercon, concessionária responsável pela administração do espaço, mas não sinalizou qualquer discussão para alterar ou rescindir o contrato, que poderá permanecer em vigor até 2067.
A manifestação foi encaminhada após ouvintes da Rádio JM questionarem a situação do terminal, principalmente a ausência do posto avançado da Guarda Civil Municipal (GCM) e a presença constante de pessoas em situação de rua nas proximidades da rodoviária.
Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Pública, o posto avançado da Guarda Civil continua funcionando normalmente dentro do terminal como base de apoio operacional e para registro de ocorrências. A pasta informou ainda que as rondas preventivas foram intensificadas e que um comitê interinstitucional acompanha a situação da rodoviária, reunindo representantes das forças de segurança, secretarias municipais e sociedade civil.
Na área de manutenção, a Prefeitura informou que equipes das secretarias de Mobilidade Urbana, Meio Ambiente e Serviços Urbanos, além da Codau, realizam serviços de limpeza, poda de árvores e conservação no entorno do local. Também está prevista uma operação integrada de fiscalização por meio do programa Todos por Uberaba.
Já sobre a concessão, a Secretaria de Administração afirmou que realiza fiscalizações mensais para verificar o cumprimento das obrigações contratuais da Ubercon. Sempre que são identificadas irregularidades ou necessidades de manutenção, a concessionária é notificada para promover as adequações. A última vistoria ocorreu no dia 16 de junho, e uma nova inspeção será realizada para verificar o atendimento das exigências. Porém, não foi esclarecido pela secretaria quais seriam essas exigências.
A administração municipal reforçou que a manutenção, conservação e melhorias da área interna do terminal são atribuições da concessionária, conforme previsto no contrato. Já a área externa e fiscalização do contrato de concessão cabem inteiramente à prefeitura.
Embora o município destaque as ações de fiscalização e policiamento, admite que a principal reclamação dos usuários não está relacionada aos índices de criminalidade, mas à sensação de insegurança provocada pela permanência de pessoas em situação de rua e usuários de entorpecentes no entorno do Terminal Rodoviário.
De acordo com a Guarda Civil Municipal, entre 2025 e 2026 foram realizadas mais de 1.300 ações de policiamento preventivo no terminal. No mesmo período, apenas três boletins de ocorrência de natureza policial foram registrados.
Apesar disso, usuários continuam relatando medo ao utilizar os pontos de ônibus próximos à Rodoviária, especialmente durante a noite. As reclamações motivaram reportagem recente do Jornal da Manhã, que mostrou a preocupação de passageiros com a ocupação dos abrigos por pessoas em situação de rua e a falta de sensação de segurança.
Os questionamentos sobre a gestão da Rodoviária se arrastam há anos. Em 2021, o Ministério Público de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar possível omissão da concessionária em relação à segurança do terminal.
Antes disso, uma ação popular pediu a rescisão do contrato de concessão e, posteriormente, a Justiça determinou a realização de perícia contábil para analisar a execução do contrato firmado entre o Município e a Ubercon.
Cinco anos depois, mesmo diante desse histórico e das reclamações que continuam chegando ao Jornal da Manhã, a prefeitura afirma que a concessão segue sendo acompanhada por meio de fiscalizações periódicas e não indica qualquer movimento para discutir mudanças no contrato firmado com a Ubercon.
Na prática, o cenário permanece o mesmo: a administração municipal diz fiscalizar a concessionária, a Guarda Civil Municipal mantém rondas e um posto avançado no terminal, e ações integradas continuam sendo realizadas no entorno da Rodoviária. Ainda assim, a sensação de insegurança relatada por usuários e comerciantes persiste e segue motivando novas cobranças por soluções efetivas.