CIDADE

Déficit financeiro obriga Hélio Angotti a suspender tratamento

Filha de paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) reclama de suspensão de tratamento a que sua mãe está submetida e se mostra preocupada com novo agendamento

Geórgia Santos
Publicado em 24/06/2014 às 17:37Atualizado em 19/12/2022 às 07:09
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Usuários do Sistema Único de Saúde estão preocupados com a falta de medicamentos para quimioterapia no Hospital Dr. Hélio Angotti. Segundo a filha de uma paciente, que pediu para não ser identificada, com receio de que traga problemas para a mãe, na semana passada esteve no hospital, mas teve de voltar para casa sem realizar o tratamento, e ainda sem previsão de quando será agendada uma nova sessão de quimioterapia. De acordo com a direção do hospital, déficits financeiros têm impedido a manutenção de estoques de medicamentos pela instituição.

“Acho que temos direito a explicações. Estou preocupada com a minha mãe. Como todos sabem, cada dia que passa sem o devido tratamento a doença evolui e, assim como nós, vários pacientes também estão preocupados com a situação. No caso da minha mãe é preciso fazer a quimioterapia a cada 21 dias, seguir à risca, nenhum dia a mais ou a menos. Na quarta-feira passada seria realizada a terceira sessão, mas assim que chegamos ao hospital tivemos de voltar para casa, pela falta de medicamentos, e sem previsões de quando os teria. Estamos passando por uma situação angustiante, pois a doença já não é fácil, o paciente sofre muito, e sem realizar o tratamento à risca fica mais complicado ainda”, explica.

Ainda segundo a filha da paciente, o hospital poderia ao menos comunicar aos usuários de que não há medicamento e assim não precisam ir até o local para realizar a quimioterapia. Mas isso não aconteceu, e além de faltar para a sessão, também não tem o remédio para levar para casa. “Liguei no hospital na última segunda-feira e a situação continua na mesma, conversei com a farmacêutica para saber o que está acontecendo, ela me disse que este é um problema interno do hospital e que o caso da minha mãe já foi repassado ao médico, para analisar o laudo e se for de muita urgência seriam tomadas providências, do contrário, era preciso esperar, mas não é fácil esperar nestas condições”, afirma. 

A situação foi repassada à assessoria de imprensa do Hospital Dr. Hélio Angotti. De acordo com a nota encaminhada ao Jornal da Manhã, o hospital possui um déficit mensal de cerca de R$ 600 mil (mais de R$ 7,1 milhões/ano). O número de pacientes com câncer em Uberaba e região aumenta, mas a ajuda enviada pelos governos estadual e federal não é suficiente para cobrir a defasagem na tabela de remuneração dos serviços prestados ao SUS. Além disso, a Associação de Combate ao Câncer do Brasil Central (ACCBC)/Hospital Dr. Hélio Angotti, apesar dos esforços e da colaboração da sociedade, não consegue fazer estoque de medicamentos, que são caros, como por exemplo, o Herceptin (Trastuzumabe) 440 mg, usado no tratamento do câncer de mama. Um frasco custa cerca de R$ 8,9 mil.

Ainda conforme a nota, o Hospital faz novos esforços junto ao prefeito Paulo Piau e ao deputado Marcos Montes, buscando a ajuda do governo estadual. No próximo dia 3 de julho, terá uma audiência com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, para novamente solicitar ajuda. Neste sentindo, o hospital pede a compreensão de todos diante dos problemas financeiros enfrentados nos últimos tempos.

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