CIDADE

Família vive drama para sepultar recém-nascido que morreu sábado

Família vive drama para enterrar recém-nascido. Segundo parente, problema foi ocasionado pela falta de funcionamento do cartório

João Fábio Sommerfeld
Publicado em 28/02/2012 às 10:59Atualizado em 17/12/2022 às 08:36
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Linara Helena Oliveira, prima da mãe da criança, conta a dificuldade encontrada pela família para a liberação do corpo

Família vive drama para enterrar recém-nascido, que morreu no fim de semana. Segundo parente da família, o problema foi ocasionado pela falta de funcionamento do cartório.

A bancária Linara Helena Oliveira é prima da mãe da criança que nasceu prematura e viva, mas morreu após um ataque cardíaco. Ela acompanhou toda a movimentação no Hospital da Mulher (antiga Clínica Civil) e conta que na manhã de sábado (25), a criança morreu. No entanto, no início da tarde, por volta das 13h30, o hospital liberou a declaração de nascido vivo, por meio da qual a família providencia o registro de nascimento. “Eles entregaram e falaram que poderia dar continuidade ao funeral e que o registro da criança poderia ser realizado na segunda-feira (27). O pai e eu fomos à funerária e ao cemitério, para procurar o túmulo da outra filha, que morreu nas mesmas condições. No administrativo, eles solicitaram a declaração de óbito”, relata.

Com isto, o pai e a bancária retornaram ao hospital para solicitar a declaração de óbito. No entanto, o documento foi negado, pois a criança não havia sido registrada no cartório. “Eles falaram que não teria como resolver o problema naquele dia, mas que na segunda-feira seria possível entregar a declaração, após o registro. Eu questionei como que iríamos enterrar só na segunda. Ele me disse assim: ‘preocupa não, ela fica na geladeira’, com expressão de desdenho”, observa Linara, acrescentando que a Polícia Militar foi chamada para registrar um Boletim de Ocorrências. “Os policiais chegaram e perguntaram quem era o responsável. O porteiro falou que não tinha ninguém, nem médico e enfermeiro na unidade naquele momento, e que era para buscá-lo na casa dele”, lembra.

Junto com os policiais, a assistente social disse a Linara que conseguiu fazer contato com a responsável pelo cartório e que seria realizado o registro da criança. “O pai da criança conseguiu fazer a documentação e o registro de óbito foi realizado. Conseguimos pegá-lo por volta da meia noite, mas depois de muito sofrimento”, disse Linara.

Em nota, encaminhada pela assessoria de imprensa, a Direção Clínica do HC-UFTM posicionou que não houve descaso no atendimento, mas questões burocráticas impediram o fornecimento imediato da Declaração de Óbito do recém-nascido, por ser fim de semana.

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