Nova lei autoriza modelo no país, mas setor avalia que exigências de espaço, farmacêutico e adequações sanitárias dificultam adesão da maioria dos estabelecimentos

A obrigatoriedade da presença de farmacêutico em tempo integral também impacta significativamente os custos operacionais (Foto/Divulgação)
A nova lei que autoriza a instalação de farmácias dentro de supermercados em todo o país vem gerando expectativas e desafios para o setor supermercadista. Segundo Juliane Foscarini, presidente da Associação de Supermercados do Triângulo Mineiro (Assuper), a adaptação dos estabelecimentos não será simples.
Para ela, a principal dificuldade será adequar o espaço físico necessário para abrigar a farmácia dentro do supermercado. “Não é na gôndola que os medicamentos vão estar à venda. Será necessário ter um espaço físico farmacêutico, separado do restante do supermercado, funcionando como uma farmácia tradicional, com farmacêutico e normas sanitárias rigorosas”, explica Juliane.
A obrigatoriedade da presença de farmacêutico em tempo integral também impacta significativamente os custos operacionais. “Acredito que 90% dos estabelecimentos não conseguirão ter uma farmácia dentro do supermercado”, avalia a presidente da Assuper. Sobre a expectativa de preços mais baixos, ela ressalta que os medicamentos devem seguir os padrões de farmácia, e eventuais reduções podem ocorrer apenas de forma pontual.
Juliane ainda destaca que a concorrência com as farmácias tradicionais será sentida, mas considerada saudável. “Nunca é bom ter mais concorrentes, mas é normal. As farmácias também vendem produtos alimentícios, e a competição tende a ser equilibrada”, afirma.
O empresário do ramo de farmácias e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Fernando Xavier, reforça que não haverá riscos adicionais à saúde da população com a venda de medicamentos nos supermercados, desde que as regras sanitárias sejam cumpridas e haja fiscalização rigorosa. “O consumidor deve sempre buscar orientação do farmacêutico presente no local, que terá autonomia como em uma farmácia tradicional. Não haverá venda nas prateleiras comuns, e os padrões de higiene e assistência profissional devem ser seguidos”, destaca.
A lei nº 15.357, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permite o modelo “store in store”, em que a farmácia funciona dentro do supermercado, mas de forma totalmente separada.
Especialistas afirmam que a medida pode ampliar o acesso aos medicamentos, principalmente em regiões com menor cobertura de farmácias, além de aumentar a concorrência e potencialmente reduzir preços. Entretanto, o setor alerta para desafios como adaptação dos espaços, custos operacionais, fiscalização rigorosa e atenção ao uso correto dos medicamentos.
“A lei pode ser muito positiva para a população, mas exige que o supermercado siga todas as normas de segurança e que o consumidor compre em estabelecimentos regulamentados”, conclui Juliane Foscarini.