MAIS RECURSOS

Hospital Hélio Angotti gasta oito vezes mais do que recebe do SUS no tratamento oncológico

Apesar de 99% dos atendimentos serem via SUS, a tabela não cobre o valor real dos procedimentos, e o hospital precisa arrecadar recursos para manter os serviços

Dandara Aveiro
Publicado em 03/12/2025 às 15:20
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O Hospital Hélio Angotti, referência regional no tratamento oncológico, acompanha atualmente mais de 5 mil pessoas, entre diagnóstico, tratamento ativo e monitoramento após remissão do câncer. Segundo o diretor-executivo Fernando Fernandes, 99% dos atendimentos são custeados pelo SUS, uma média de R$ 6 mil por paciente; entretanto, a instituição precisa absorver mais de R$40 mil por cada caso para manter o serviço. Diante do desequilíbrio financeiro, o hospital aderiu à Semana do Doar, incentivando contribuições via Pix até domingo para reforçar o orçamento e garantir a continuidade da assistência. 

Em entrevista ao JM News, Fernandes explicou que, embora a receita do hospital dependa quase integralmente do sistema público, os valores pagos estão muito defasados. “O SUS remunera conforme a produção, por meio da Secretaria Municipal de Saúde. Mas a tabela não é corrigida há mais de 20 anos”, afirmou. Ele citou exemplos concretos da disparidade: uma biópsia, essencial para confirmar o diagnóstico de câncer, é remunerada em R$ 108,00 pelo SUS, enquanto o hospital gasta quase o dobro para realizá-la. "Só a agulha da biópsia custa R$ 106,00. E o valor total de uma biópsia hoje gira entre R$ 212,00 e R$ 215,00, o que significa que o hospital precisa arcar com praticamente metade do procedimento”, contou. 

Nos tratamentos completos, o cenário é ainda mais crítico. Um ciclo completo de cuidados oncológicos, que vai do diagnóstico ao acompanhamento após a remissão, não sai por menos de R$50 mil, conforme ressaltou o executivo. “O repasse do SUS chega a cerca de 6 mil por paciente. Ou seja, o hospital precisa absorver mais de 40 mil para cada um". Fernandes reforçou que o câncer exige acompanhamento contínuo e de longo prazo. “O tratamento não é um dia em que a pessoa vai lá e faz o procedimento. É um processo extenso, com várias etapas até depois da remissão, para evitar que a doença volte”, afirmou. 

Além dos repasses públicos, o hospital recebe parte menor do custeio por meio de doações e emendas parlamentares, mas o volume ainda é insuficiente para equilibrar as contas. Sobre isto, o diretor-executivo cita o esforço constante para ampliar o engajamento social. “Temos equipes de captação e comunicação que trabalham diariamente para mostrar às pessoas de Uberaba e dos 27 municípios atendidos qual é a realidade das instituições filantrópicas hoje”, ressaltou. 

Semana de Doar 

O hospital aderiu à campanha nacional “Dia de Doar”, que começou nesta terça-feira (2) e segue até domingo, dia 7 de dezembro. A campanha busca fortalecer a cultura da generosidade e reforçar o financiamento das ações filantrópicas do hospital. A ação incentiva contribuições por meio de Pix, cuja chave é o CNPJ da instituição.

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