Unidade afirma que todos os animais liberados pela PMU são atendidos, mesmo quando o hospital está lotado
Segundo o HVU, o controle sobre quais animais são encaminhados e liberados para atendimento é feito pela Prefeitura, via Superintendência de Bem-Estar Animal, após avaliação prévia (Foto/Divulgação)
O Hospital Veterinário da Uniube (HVU) informou ao Jornal da Manhã que todos os animais encaminhados pela Prefeitura de Uberaba são atendidos pela unidade, independentemente da lotação do hospital. A manifestação ocorre após protetoras independentes relatarem demora para conseguir atendimento de animais em situação de urgência e emergência pela rede conveniada.
Segundo o HVU, o controle sobre quais animais são encaminhados e liberados para atendimento é feito pela Prefeitura, via Superintendência de Bem-Estar Animal, após avaliação prévia. Dessa forma, as vagas mencionadas por protetores não correspondem a uma limitação de atendimento estabelecida pelo hospital.
“Da nossa parte, todo animal encaminhado é atendido. O controle de encaminhamento é da PMU”, informa o hospital. A instituição orientou que dúvidas sobre a distribuição dos atendimentos e sobre a liberação dos animais sejam direcionadas à própria Prefeitura.
Os dados fornecidos pelo HVU mostram que, em setembro, 192 animais foram atendidos pelo convênio com a Prefeitura, com 199 entradas no período, sendo sete reinternações. Ao todo, foram registrados 2.397 atendimentos e serviços prestados.
Entre os procedimentos realizados no mês estão 49 consultas de pequenos animais, 110 retornos, 108 diárias de internação para 21 pacientes e 20 diárias pós-cirúrgicas para 20 animais. Também foi registrada uma eutanásia.
Na área diagnóstica e ambulatorial, foram realizados 458 exames laboratoriais e 121 exames de imagem, além de 26 cirurgias de pequenos animais, 43 procedimentos não cirúrgicos, 28 procedimentos anestésicos e cinco procedimentos odontológicos. O hospital contabilizou ainda a aplicação de 1.428 medicamentos e materiais hospitalares.
Não houve, em setembro, atendimentos, internações ou cirurgias de grandes animais pelo convênio, nem exames de anatomia patológica.
Entre 1º e 6 de outubro, o HVU realizou 31 atendimentos pelo convênio com a Prefeitura, com 321 serviços prestados.
O balanço inclui seis consultas de pequenos animais, 19 retornos e quatro diárias pré e pós-cirúrgicas. Também foram realizados 45 exames de patologia clínica, 18 exames de imagem, quatro procedimentos de medicina preventiva, seis cirurgias em pequenos animais, seis procedimentos anestésicos e sete procedimentos não cirúrgicos.
No mesmo período, foram utilizados 206 medicamentos e materiais hospitalares.
A discussão sobre o acesso ao atendimento pelo convênio não é recente. Em abril deste ano, a Prefeitura renovou por mais 12 meses a parceria com o HVU, em contrato de R$ 1.647.776,52. Criado em 2022, o convênio prevê assistência veterinária gratuita para cães, gatos e equinos, incluindo consultas, internações, cirurgias, exames e tratamentos especializados.
Na ocasião da renovação, a Prefeitura informou que 1.600 animais haviam sido atendidos em 2025, com 28.469 serviços prestados.
Apesar da continuidade da parceria, protetores já relatavam dificuldades de acesso ao serviço nos anos anteriores. Em 2023, as queixas envolviam a necessidade de encaminhamento pela SBEA e a existência de uma quantidade mensal de atendimentos prevista no convênio. Naquele período, o acordo previa 300 atendimentos mensais.
A discussão voltou a ganhar espaço no fim de 2024, quando a Câmara Municipal aprovou uma emenda de R$ 1 milhão para reforçar ações da causa animal. Durante o debate, também foi levantada a necessidade de ampliar o número de estabelecimentos credenciados para atendimento veterinário, diante das dificuldades relatadas por protetores.
Em julho de 2025, novas denúncias encaminhadas ao JM apontaram demora e dificuldades de atendimento, inclusive em casos considerados graves. Na ocasião, a SBEA sustentou que o convênio seguia critérios técnicos e uma ordem de prioridade.
Além do convênio com o HVU, o município mantém estruturas complementares, como a UnaPet, unidade ambulatorial que realiza consultas, curativos e exames clínicos e encaminha os casos de maior gravidade para atendimento hospitalar, dentro dos critérios estabelecidos.
Segundo informações divulgadas anteriormente pela Prefeitura, a unidade havia atendido mais de 720 animais em 2024.
O histórico mostra que, embora o Município tenha ampliado as portas de entrada para atendimento veterinário, a forma de distribuição dos encaminhamentos continua sendo um dos principais pontos de questionamento dos protetores, especialmente diante de casos que demandam assistência considerada urgente.
A manifestação do HVU ocorre no contexto das denúncias mais recentes de protetoras sobre demora para atendimento pela rede conveniada. Um dos casos acompanhados pelo JM é o da cadela Futrica, cujo protocolo foi registrado pela SBEA em 10 de setembro.
Segundo o responsável, o quadro do animal piorou durante o período de espera.
Questionado anteriormente pelo JM, o HVU informou que a Prefeitura faz uma avaliação prévia e libera os animais para atendimento, que então são atendidos pelo hospital. “Independentemente da lotação do hospital, os animais liberados pela PMU são atendidos”, reforça a instituição.
A SBEA, por sua vez, informou que as solicitações seguem o fluxo previsto na Portaria Interna nº 01/2025, considerando critérios técnicos, ordem das demandas, complexidade dos casos e disponibilidade prevista no convênio.
A normativa também estabelece prioridade para animais errantes, sem tutores ou protetores, seguida por animais de tutores inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), organizações não governamentais (ONGs) e, por fim, tutores ou protetores independentes, observados os demais critérios previstos.