A implantação do novo cartão de alimentação dos servidores da Codau enfrenta entraves em Uberaba e pode gerar incertezas tanto para trabalhadores quanto para o comércio local. Segundo a Associação dos Supermercadistas de Uberaba (Assuper), a operadora responsável pelo benefício ainda não conseguiu atingir o número mínimo de estabelecimentos credenciados, o que impede o início da operação.
De acordo com a presidente da entidade, Juliane Foscarini, a empresa vencedora da licitação é a BFK. No entanto, a adesão por parte dos supermercados tem sido dificultada principalmente pelas taxas consideradas elevadas e pelas condições de negociação.
Segundo ela, embora a operadora tenha apresentado proposta com margem negativa para vencer a licitação, os custos acabam sendo repassados ao comércio. “Recebemos propostas com taxas de até 7% para recebimento em 60 dias e 6% para 90 dias. Isso inviabiliza, porque alguém vai pagar essa conta, e normalmente é o consumidor final”, afirmou.
Juliane também aponta dificuldades na relação com representantes da empresa. De acordo com a Assuper, houve relatos de postura rígida e até intimidadora durante as negociações, o que contribuiu para o recuo de parte dos supermercadistas. Diante do cenário, a entidade suspendeu tratativas coletivas e aguarda um novo posicionamento.
Outro ponto levantado é que a empresa ainda não conseguiu atingir o número mínimo de estabelecimentos exigido para operação. Caso isso não ocorra dentro do prazo, há possibilidade de convocação da segunda colocada na licitação.
Enquanto isso, o cartão atualmente utilizado pelos servidores da Codau, da operadora Megavale, segue válido apenas até o fim do saldo já disponibilizado. Como a nova empresa ainda não iniciou a operação, existe o risco de interrupção temporária do benefício caso não haja solução.
A reportagem do Jornal da Manhã acionou a assessoria de imprensa da Codau para esclarecimentos e aguarda posicionamento. O espaço está aberto à manifestação.
A situação contrasta com o cenário da Prefeitura de Uberaba, que também enfrentou problemas recentes com cartões de alimentação. Após o fim do contrato com a antiga operadora, o município precisou adotar medidas emergenciais, como pagamento em dinheiro, até a contratação de uma nova empresa. Atualmente, o sistema está regularizado após a implantação de novos cartões e acordo com o comércio local.
Para a Assuper, a principal preocupação é garantir equilíbrio nas taxas cobradas, conforme previsto em regulamentação federal que limita os percentuais. A entidade afirma que acompanha a questão judicial envolvendo operadoras que ainda não se adequaram às novas regras.