CIDADE

Importância histórica da rua não permite asfalto, diz Conphau

Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau) descarta o asfaltamento da rua Menelick de Carvalho

Geórgia Santos
Publicado em 13/06/2014 às 23:42Atualizado em 19/12/2022 às 07:19
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Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau) descarta asfaltamento da rua Menelick de Carvalho. Moradores e comerciantes da via procuraram o Jornal da Manhã reivindicando da prefeitura, para que assim como em outros pontos da cidade, também seja realizada a troca dos paralelepípedos por massa asfáltica. Entretanto, segundo a coordenadora do conselho, Maria Aparecida Manzan, a rua não pode ser asfaltada, diante da sua importância histórica para o município.

“A Menelick de Carvalho não pode ser asfaltada, por si só ela já é uma rua histórica, foi a primeira calçada com paralelepípedo em Uberaba, foi o primeiro local em que foi instalada a Estação Mojiana. Na década de 30, durante a revolução, teve um momento importante envolvendo a rua, onde as tropas desembarcaram na cidade para servir a região, e neste período já possuía paralelepípedos, assim como a Arthur Machado. Por isso, não podemos descartar essa parte histórica da cidade”, afirma Cida.

Sendo assim, segundo a coordenadora, a situação será levada à Secretaria de Infraestrutura, para que resolva os problemas de buracos formados pelas pedras que se soltaram, e que elas sejam recolocadas com materiais que recomponham as pedras para que não se soltem mais. “As pessoas reclamam que o encaixe das pedras é feito apenas com areia, mas existem outros materiais mais firmes, como a argamassa, que é bastante usada na Argentina e em Ouro Preto. Além disso, o piche do asfalto também pode ser colocado no fundo para que a pedra não se solte, desde que não a cubra. Portanto, se vai calçar Peirópolis com as pedras da cidade, as ruas de Uberaba também devem ser consertadas”, explica Cida.

Neste mesmo sentido, o Conphau também mantém contato com o Codau, visto que, algumas ruas de paralelepípedo foram liberadas devido às obras de drenagem. Neste caso, o conselho entende que são obras necessárias e para o bem-estar do cidadão. “Quanto à rua Menelick de Carvalho não podemos autorizar, nem mesmo com abaixo-assinado, pois quem vai definir é o conselho, depois de um estudo sobre a história da rua e a importância dela para a cidade”, enfatiza a conselheira.

Vias que não poderiam sofrer  intervenção receberam pavimento. Por outro lado, vale lembrar que algumas ruas de grande circulação, como a Arthur Machado e a avenida Alexandre Barbosa não poderiam ser asfaltadas, pois são consideradas Patrimônio Histórico do município. Segundo Maria Aparecida, as pedras foram retiradas a toque de caixa, ‘da noite para o dia’. E isso aconteceu, pois, no início do governo Wagner Nascimento não existia o Conphau para deliberar sobre o assunto. “Mas ainda é possível que algum prefeito reverta a situação e restabeleça o calçamento da rua Arthur Machado e da avenida Alexandre Barbosa com o paralelepípedo”, afirma.

Sendo assim, a conselheira enfatiza que no entorno dos Patrimônios Históricos nenhuma rua pode sofrer intervenção, as pedras devem continuar, apenas devem ser realizados os reparos necessários. “Assim como em outros municípios algumas vias não podem receber massa asfáltica, e Uberaba não pode fugir à regra, pois aqui existe o maior número de bens tombados e inventariados da região. Portanto, em alguns locais, se a comunidade reivindicar a retirada das pedras para fazer o asfaltamento, os pedidos serão negados. Vamos solicitar à Infraestrutura que arrume essas ruas e passeios que estão causando transtornos. O abaixo-assinado deve ser direcionado à Secretaria de Infraestrutura para que arrume a rua, e não ao Conphau para que tire a pedra”, finaliza Maria Aparecida.

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