
A macaca Chica segue em acompanhamento no Hospital Veterinário da Uniube após exames confirmarem quadro de pneumonia. (Foto/Divulgação)
Após a internação da macaca Chica, moradora da Mata do Ipê, o Hospital Veterinário da Universidade de Uberaba (HVU) divulgou atualização sobre o estado de saúde do animal. Diagnosticada com pneumonia, a primata apresenta quadro clínico estável e segue sob observação da equipe veterinária. Segundo o médico especialista em animais silvestres Cláudio Yudi Kanayama, em entrevista à Rádio JM, parte dos exames complementares ainda aguarda resultado, o que é fundamental para o acompanhamento completo do caso e eventuais ajustes no tratamento.
Em nota encaminhada à reportagem, o HVU informou que avaliações clínicas e exames de imagem identificaram um quadro de inflamação nos pulmões. A partir do diagnóstico, a equipe iniciou tratamento com antibióticos e medicamentos anti-inflamatórios, com resposta considerada satisfatória até o momento.
O hospital também esclareceu que exames complementares foram encaminhados para análise em Belo Horizonte. Os resultados ainda são aguardados e devem contribuir para uma avaliação mais detalhada da condição de saúde da primata. Novas atualizações serão divulgadas conforme a evolução do quadro clínico.
Em entrevista ao programa Pingo do J, o professor Cláudio Yudi, docente do curso de Medicina Veterinária da Uniube, explicou que Chica foi recolhida pelo Corpo de Bombeiros e passou, inicialmente, por um período de observação antes da realização de procedimentos mais invasivos. “A gente sedou a Chica na sexta-feira e percebeu que ela estava bem magra, desidratada. O pelo confunde muito, mas quando a gente apalpou, sentiu os ossinhos”, relatou o veterinário. Segundo ele, exames como radiografia e ultrassom confirmaram a pneumonia, o que levou ao início imediato do tratamento.
Apesar do diagnóstico, o especialista destacou sinais positivos na recuperação. “Ela está bem, está comendo, começando a ficar mais esperta. Quando o bombeiro consegue pegar um macaco com facilidade, é sinal de que ele não está bem, porque normalmente são animais muito ariscos e inteligentes”, afirmou.
Cláudio Yudi também ressaltou que, por se tratar de um primata de vida livre, mesmo inserido em área urbana, foram adotados protocolos rigorosos de segurança durante o atendimento. “Usamos máscara e todos os cuidados necessários, porque primatas podem transmitir doenças para os seres humanos”, explicou. Segundo ele, exames voltados à detecção de zoonoses, como febre amarela e leptospirose, ainda aguardam resultado.
Sobre a idade do animal, o veterinário informou que não é possível precisar com exatidão, mas a estimativa é de que Chica tenha entre 20 e 30 anos. “Em vida livre, um macaco-prego vive entre 20 e 30 anos. Então ela já é uma senhora, ainda mais vivendo no meio urbano, com riscos de atropelamento, choque elétrico e alimentação inadequada”, observou.
Conhecida pelo comportamento dócil e pela convivência com frequentadores da Mata do Ipê, Chica segue em acompanhamento veterinário. A expectativa é que, após a conclusão do tratamento e com a liberação da equipe técnica, o animal possa retornar com segurança ao seu habitat natural.