ESTUDO FEDERAL

Mais de 230 pessoas vivem em áreas de risco de desastre em Uberaba

Estudo federal identificou sete pontos de risco alto e um de risco muito alto no município

Joanna Prata
Publicado em 26/05/2026 às 11:17Atualizado em 26/05/2026 às 14:02
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O Serviço Geológico do Brasil (SGB), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, identificou oito áreas de risco em Uberaba, sendo sete classificadas como de risco alto e uma de risco muito alto, com mais de 230 pessoas vivendo em locais sujeitos a deslizamentos, enxurradas, inundações e erosão de margens. O estudo foi concluído em março deste ano e identificou que os problemas estão diretamente ligados à ocupação inadequada do solo, deficiência na drenagem urbana e intervenções humanas em áreas sensíveis. Segundo o relatório, mantidas as condições atuais, há possibilidade real de ocorrência de eventos destrutivos durante períodos de chuvas intensas. 

Ao todo, o mapeamento aponta 53 domicílios em áreas de risco alto, onde vivem aproximadamente 212 pessoas, além de seis moradias em área de risco muito alto, com cerca de 24 moradores. Os pontos críticos identificados ficam na Rua Vicente de Paulo Cardoso, no Jardim Uberaba; Rua Vigário Silva, no Bom Retiro; Rua Turmalina, no bairro Lourdes; Rua Arapongas, no Parque Gameleiras; Rua das Violetas, no bairro Esperança; Gameleira III; e Avenida Cristo Rei, no Parque das Américas. Entre os processos registrados estão erosão de margens fluviais, enxurradas, alagamentos, deslizamentos e colapso de estruturas. 

A situação considerada mais grave está na Rua das Violetas, no bairro Esperança, única área enquadrada como risco muito alto. O relatório descreve um cenário de “avançado estágio de desenvolvimento” dos processos de instabilidade, com registros de imóveis parcialmente destruídos, moradias demolidas pela Defesa Civil e presença de cicatrizes de deslizamentos. O documento destaca que casas foram construídas muito próximas ao córrego, em área com drenagem assoreada e erosão ativa das margens, agravadas ainda pela proximidade da linha férrea em nível superior às residências. No local vivem cerca de 24 pessoas distribuídas em seis moradias. 

Já entre as áreas classificadas como de risco alto, o Jardim Uberaba concentra 11 domicílios e 44 moradores expostos a erosão laminar, erosão de margem fluvial e possibilidade de colapso. No Bom Retiro, a Rua Vigário Silva tem dez residências e 40 pessoas sujeitas a inundações e erosão de margens, inclusive com registro de marcas de água em imóveis após enchentes. No bairro Lourdes, a Rua Turmalina soma cinco moradias e 20 pessoas em área de erosão fluvial. O Gameleira III também preocupa, com 11 residências e 44 moradores vivendo em área vulnerável a deslizamentos e erosões, em ocupações precárias e sem drenagem adequada. Já a Avenida Cristo Rei, no Parque das Américas, apresenta risco de enxurradas, alagamentos e inundações para 16 moradores em quatro imóveis. 

O relatório do SGB explica que a classificação de risco alto significa que já existem sinais evidentes de instabilidade, como trincas, erosões, abatimentos de solo e drenagem comprometida, havendo possibilidade concreta de desastres durante um período chuvoso. Já o risco muito alto representa o estágio mais crítico, quando os danos e sinais de instabilidade são numerosos e avançados, tornando praticamente impossível monitorar a evolução do problema sem intervenções imediatas. 

As equipes de campo reuniram técnicos do Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil de Uberaba, Corpo de Bombeiros e Prefeitura. Participaram dos trabalhos as pesquisadoras em geociências Carla Cristina Magalhães de Moraes e Maria Cecília Silveira, além de representantes da Defesa Civil municipal e militares do Corpo de Bombeiros. 

Além das áreas classificadas como críticas, mais de 30 pontos foram vistoriados e seguem sob monitoramento preventivo. Entre eles estão o Condomínio Vilagio del Fiore, no Umuarama; Rua Douradinhos, no Jardim Uberaba; Córrego das Toldas; Recreio dos Bandeirantes; Moradas Uberaba; entorno do Shopping Praça Uberaba; bairro Nenê Gomes; Avenida Pedro Lucas, próxima ao Rio Uberaba; além de áreas rurais e turísticas como Ponte Alta e Cachoeira do Pontilhão. Em Peirópolis, o estudo não identificou risco relevante para moradias. 

O documento ainda traz recomendações ao município, como reforço da estrutura permanente da Defesa Civil, manutenção constante de drenagens e córregos, fiscalização de ocupações irregulares, implantação de sistemas de alerta para chuvas intensas e possibilidade de remoção temporária de moradores em períodos críticos. Segundo o SGB, Uberaba já possui Carta de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundação, considerada um instrumento técnico importante para o planejamento urbano e prevenção de desastres.

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