Movimento nacional de repatriação de fósseis pode abrir caminho para que Uberaba recupere parte do acervo paleontológico encontrado no município e atualmente preservado em instituições fora da cidade. A avaliação é do geólogo e paleontólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, que defende que o reconhecimento internacional do Geoparque Uberaba fortalece a cidade nas discussões sobre o retorno desses materiais.
Em entrevista à Rádio JM, Luiz Carlos afirmou que o debate ganhou força nos últimos anos a partir de ações coordenadas entre órgãos federais para recuperar fósseis brasileiros levados ao exterior. Agora, a expectativa é que o processo também avance dentro do país, envolvendo coleções transferidas para outros estados ao longo das últimas décadas. “Existe uma vontade do Ministério da Ciência e Tecnologia de iniciar a repatriação dos fósseis dentro do Brasil. E aí que entra Uberaba”, afirmou durante entrevista à Rádio JM.
Grande parte dos fósseis encontrados em Uberaba desde a década de 1940 está atualmente no Museu de Ciências da Terra. De acordo com o pesquisador, o material foi encaminhado ao Rio de Janeiro porque a cidade ainda não possuía estrutura adequada para conservação e pesquisa paleontológica. Hoje, porém, ele afirma que o cenário mudou, especialmente após os investimentos ligados ao Geoparque e ao complexo de Peirópolis. “Nós temos uma reserva técnica com ar-condicionado, desumidificador e estrutura adequada para receber esse material”, disse.
Apesar disso, Luiz Carlos reconhece que uma eventual transferência dependeria de articulação política, institucional e científica entre diferentes órgãos federais. Para ele, além do valor acadêmico, o retorno dos fósseis teria impacto na educação, no turismo e na valorização da identidade histórica de Uberaba, considerada uma das principais regiões paleontológicas do país.