PERTURBAÇÃO DO SOSSEGO

Perturbação do sossego rende só três notificações em 2026 em Uberaba

Cidade já debateu o problema em audiência pública e prometeu reforço nas ações; outras três publicações deste ano tratam de casos de 2025

Joanna Prata/Redação
Publicado em 12/03/2026 às 15:55Atualizado em 12/03/2026 às 15:56
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As notificações publicadas neste ano por perturbação do sossego em Uberaba recolocam em pauta uma reclamação antiga da população, mas por um ângulo incômodo: apesar das queixas recorrentes sobre som alto, festas e barulho de madrugada, apenas três notificações relativas a infrações cometidas em 2026 foram publicadas no Porta-Voz até agora. O diário oficial do Município ainda traz outras três notificações, mas que se referem a infrações registradas em 2025, o que ajuda a manter vivo um debate que já passou pela Câmara e motivou promessa de reforço na fiscalização.

Os casos deste ano envolvem ocorrências registradas em 6 de fevereiro, na rua João Luiz Montandon, em 8 de fevereiro, na rua Irani Pereira Lima Souza, e em 15 de fevereiro, na avenida Doutor Fidélis Reis. Segundo a dinâmica adotada pelo município, a publicação oficial ocorre quando o responsável não é localizado para receber a notificação pessoalmente. A partir daí, abre-se prazo para defesa administrativa no Departamento de Posturas.

O número chama atenção porque a perturbação do sossego está longe de ser um problema isolado e pouco numeroso em Uberaba. Em abril de 2025, o JM mostrou que, desde o fim das atividades da antiga Patrulha do Silêncio, muitos moradores relatavam não saber a quem recorrer diante de festas e som alto. Na ocasião, o comandante da Guarda Civil Municipal afirmou que as denúncias podem ser feitas pelo 153, com repasse ao Departamento de Posturas, embora o atendimento sofra limitações fora do horário comercial e funcione em regime de plantão nos períodos de maior demanda.

A pressão da comunidade chegou ao Legislativo. Em maio do ano passado, a Câmara Municipal aprovou a realização de audiência pública para discutir a legislação, os critérios de fiscalização e a atuação dos órgãos responsáveis. Ao justificar o pedido, a vereadora Ellen Miziara apontou crescimento das reclamações e dúvidas da população sobre a efetividade da fiscalização e sobre o funcionamento da chamada Patrulha do Silêncio

Contudo, a chama de esperança acesa na população demorou pouco a ser apagada. Mesmo após a discussão pública, o problema continuou aparecendo no noticiário local. Em julho, moradores do Mercês relataram ao JM transtornos constantes provocados por uma conveniência 24 horas, com queixas de gritaria, som automotivo e perturbação durante a noite e a madrugada.

Já em outubro, a Prefeitura anunciou operações conjuntas para mirar festas, veículos com som alto, repúblicas e outros focos de barulho excessivo, com promessa de intensificar notificações, multas, apreensão de equipamentos e até interdição em casos de reincidência. Na mesma ocasião, o JM publicou balanço da própria administração municipal apontando cerca de 900 vistorias relacionadas à perturbação do sossego em 2025, com 82 autuações e 98 notificações administrativas.

Esse histórico dá peso ao contraste atual. Diante do volume de vistorias, das reclamações frequentes e das promessas de reforço na fiscalização, o fato de 2026 ter, até aqui, apenas três notificações ligadas a infrações deste próprio ano reforça uma percepção que atravessa diferentes bairros: a de que o barulho segue como dor de cabeça frequente, enquanto a resposta do poder público continua aquém do tamanho da reclamação.

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