"ETERNOS PELA VIDA"

Projeto incentiva doação de corpos para formação e profissionais da saúde em Uberaba

Chamado Eternos pela Vida, o projeto alcança futuros médicos e demais profissionais da área da saúde na UFTM

Débora Meira
Publicado em 22/01/2026 às 15:33
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A doação de corpos ainda é um tema pouco conhecido pela população, apesar de sua importância fundamental para o ensino e a formação de profissionais da área da saúde. Em Uberaba, a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) mantém, há dez anos, o projeto Eternos pela Vida, que permite que pessoas manifestem, ainda em vida, o desejo de doar o próprio corpo para fins científicos. 

Criador e coordenador do projeto, o fisioterapeuta e professor Luciano Gonçalves explicou, em entrevista à Rádio JM, que a iniciativa surgiu para suprir uma demanda do laboratório de anatomia da universidade. Segundo ele, o corpo humano real é insubstituível no processo de ensino. “Nem modelos em 3D ou tecnologias avançadas conseguem substituir o aprendizado proporcionado pelo contato com o corpo humano real”, destaca. 

Atualmente, os corpos utilizados nas aulas práticas atendem estudantes de diversos cursos da área da saúde, como Medicina, Enfermagem, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, entre outros. Nesses espaços, os alunos aprendem a anatomia humana por meio de dissecações, exposição de estruturas e monitorias, sempre com rigor técnico e respeito ao cadáver. 

Conforme o professor, não existe limite de idade nem exigência de que o corpo esteja perfeitamente saudável. “A anatomia estuda o corpo humano em condições normais, mas corpos que passaram por cirurgias, por exemplo, também contribuem muito para o aprendizado”, afirma. 

O estudo anatômico contempla todas as fases da vida, desde recém-nascidos e fetos natimortos, no caso da embriologia, até pessoas idosas. Essa diversidade, segundo ele, é essencial para a formação completa dos futuros profissionais da saúde. 

Ainda segundo o professor, o passo mais importante para quem deseja doar o corpo é conversar com a família. “Registrar a vontade em cartório é essencial, mas comunicar os familiares evita constrangimentos e garante que o desejo seja respeitado”, orienta. 

Luciano Gonçalves pontua que a doação do corpo é um ato humanitário que contribui diretamente para a formação de médicos e outros profissionais da área da saúde, impactando positivamente gerações futuras. 

Saiba mais sobre a doação 

Atualmente, o laboratório de anatomia da UFTM possui cerca de 45 a 50 corpos, número considerado próximo do ideal pelo Ministério da Educação (MEC), que recomenda um corpo para cada grupo de dez alunos. Ainda assim, mais de 90% dos corpos utilizados são de origem não reclamada, o que reforça a importância da conscientização sobre a doação voluntária. 

Os corpos podem ser utilizados por décadas no ensino, graças ao processo de conservação com formol, que impede a decomposição. À medida que o uso avança e determinadas estruturas deixam de apresentar condições adequadas para estudo, os chamados restos mortais são recolhidos e sepultados em jazigo próprio do laboratório de anatomia, localizado em um cemitério de Uberaba. 

Para quem se interessar em se tornar doador, os formulários para registro da doação estão disponíveis no site da UFTM: https://uftm.edu.br/eternospelavida.

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