Entre as reivindicações da categoria está também a equiparação entre os professores, garantida em lei, mas que, na prática, não acontece
Sindicato dos Professores da rede privada já definiu as principais reivindicações das negociações para 2016. A prioridade são os salários, já que em 2014, antes de os brasileiros sequer pensarem em crise econômica, a classe negociou acordo com os patrões visando a recuperação dos salários em 2016, com aumento real para 2015. Porém, a crise se instalou e pode ocasionar a mudança no discurso dos patrões, indicando uma longa rodada de negociação entre as partes.
O diretor regional do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro/Minas Gerais), Marcos Mariano, garante que a negociação para o próximo ano será exclusivamente econômica. “A nossa convenção está ativa até 1º de março de 2017. Portanto, nossa negociação será apenas econômica. Entre as reivindicações está a recomposição salarial, porque nós não queremos negociar apenas um reajuste na base do INQC”, explicou.
A equiparação também é outro ponto que será discutido nas negociações. Segundo o diretor, mesmo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) preconizando trabalhos e salários iguais, a categoria tem tabela que traz distinção dos professores da educação básica. Também em pauta está o ensino à distância, cujas desigualdades também chamam a atenção da categoria, sobretudo no que tange à quantidade de alunos na sala de aula.
Por fim, Marcos Mariano destaca fragilidades no ensino que necessitam de correções imediatas. “O professor é contratado por hora/aula e nós temos uma fragilidade, sobretudo no ensino superior com a redução da carga horária. No ensino superior não existe ano letivo, e sim, semestre. Então o professor é contratado para dar aula durante um semestre do componente ‘x’, no próximo semestre, às vezes, a instituição não consegue ter alunos para fazer aquele componente, então o professor faz o acerto parcial e tem sua carga horária reduzida”, lamenta.
Defasagem. O presidente destaca levantamento feito pelo Sinpro que surpreendeu a categoria. “Obtivemos a seguinte realidade: nos últimos cinco anos, segundo dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, houve um crescimento de quase 17% na educação básica e quase 21% no nível superior”, vibrou.
Além disso, o diretor regional afirmou que nos últimos cinco anos, as mensalidades escolares aumentaram, em média, 5% acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). “Isso significa que os professores acumularam uma perda salarial de quase 50%, em termos de salário nominal”, garantiu.