
A expectativa é que, nas próximas etapas, o implante também passe a ser ofertado nas unidades básicas de saúde, ampliando o acesso ao método contraceptivo (Foto/Divulgação)
A implantação do contraceptivo subdérmico Implanon em Uberaba seguirá de forma gradual nas próximas semanas, conforme a organização da rede municipal de saúde. A estratégia, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, leva em conta a capacidade técnica das equipes e a necessidade de avaliação individual de cada paciente antes da inserção do dispositivo.
Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, a diretora de Atenção à Saúde, Aline Tristão, explicou que o procedimento exige critérios clínicos e não pode ser realizado em larga escala de forma imediata. “Não é simplesmente fazer a inserção em todas de uma vez. A gente precisa conversar, avaliar cada caso, porque existem contraindicações e critérios para o uso do implante”, afirma.
Entre as exigências está a apresentação de exame Beta HCG negativo, realizado até dois dias antes do procedimento, além da análise das condições de saúde da paciente.
As mulheres que compareceram ao mutirão realizado no último sábado (11), no Centro de Atendimento Integral à Saúde da Mulher (Caism), terão prioridade no agendamento das próximas inserções. De acordo com a Secretaria, o contato será feito diretamente pelas equipes de saúde. “Essas mulheres que estiveram com a gente vão ser prioridade. Vamos entrar em contato com cada uma para orientar sobre o exame e o dia da inserção”, destaca a diretora.
A expectativa é que, nas próximas etapas, o implante também passe a ser ofertado nas unidades básicas de saúde, ampliando o acesso ao método contraceptivo. A proposta é descentralizar o atendimento e evitar a necessidade de deslocamento até o Caism. “Gradativamente, esses implantes estarão disponíveis nas unidades, dentro do território de cada paciente, sem necessidade de deslocamento até o Caism” , explica.
Além da descentralização, a Secretaria também aposta na atuação das equipes da Estratégia de Saúde da Família para ampliar o alcance do programa. Segundo Aline, os profissionais conhecem o perfil da população atendida e conseguem identificar e orientar mulheres dentro da faixa etária prioritária, entre 14 e 49 anos. “O agente comunitário reconhece dentro da sua área essas mulheres. Por isso, a proposta é levar esse atendimento para mais perto da população”, afirma.
A ampliação do serviço também deve envolver a qualificação de novos profissionais. Atualmente, a inserção do implante é realizada por médicos, mas há previsão de que enfermeiros também passem a realizar o procedimento, desde que devidamente capacitados e certificados.
Outro foco da política pública é o trabalho de prevenção, especialmente entre adolescentes. A Secretaria tem intensificado ações em escolas por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), levando orientações sobre métodos contraceptivos, infecções sexualmente transmissíveis e planejamento familiar. “Muitas vezes o adolescente não está na unidade de saúde, então a gente precisa ir até a escola, levar informação e abrir espaço para diálogo”, destaca.
Apesar do envio inicial de 1.200 unidades pelo Ministério da Saúde, a própria Secretaria reconhece que a quantidade não será suficiente para atender toda a demanda do município. “Esse é o primeiro lote. A gente sabe que não será suficiente, mas já começamos o atendimento e vamos ampliar gradativamente”, conclui.