Prefeitura atua para amenizar os impactos em vias de terra, mas admite que não há solução definitiva prevista para esses locais
Leitores do JM relataram que a situação precária das vias se arrasta há meses e se agravou com as chuvas das últimas semanas (Foto/Reprodução)
A manutenção de estradas em regiões de chácaras e loteamentos sem asfalto segue como um desafio em Uberaba. Dados recentes da Secretaria de Serviços Urbanos e Obras (Sesurb) apontam a realização de patrolamento em áreas como Morada do Verde, Portal do Sol e Mariitas, locais que dependem desse tipo de intervenção para garantir condições mínimas de tráfego.
Diferentemente de serviços como tapa-buracos e poda de árvores, o patrolamento costuma aparecer de forma menos detalhada nos balanços oficiais, apesar de ter impacto direto na mobilidade de moradores da zona rural e de regiões em expansão urbana. Nesses locais, a situação se agrava durante o período chuvoso. Estradas de terra ficam comprometidas, dificultando o acesso de veículos e, em alguns casos, impedindo a chegada de serviços essenciais.
Em entrevista ao programa Pingo do J, o secretário de Serviços Urbanos, Pedro Arduini, destacou que muitos desses loteamentos surgiram em áreas que originalmente eram classificadas como zona rural e que não contavam com exigência de infraestrutura básica à época da implantação.
Segundo ele, o crescimento da cidade fez com que essas áreas passassem a ser ocupadas de forma mais intensa, mas sem as condições adequadas de urbanização. “Em muitos casos, a cidade cresceu. Aquilo que um dia foi zona rural se transformou em cidade”, afirma.
O secretário afirmou que há casos em que veículos de emergência e até serviços por aplicativo têm dificuldade para acessar essas regiões. Ele citou como exemplo o loteamento Portal do Sol, onde os problemas de mobilidade são frequentes.
Arduini explicou ainda que, nesses casos, a Prefeitura não é legalmente obrigada a executar obras de pavimentação, além de não haver recursos específicos para esse tipo de investimento. “A Prefeitura não tem verba vinculada para executar esse serviço”, ressalta.
Diante desse cenário, a estratégia adotada pela Sesurb é atuar de forma preventiva durante o período de seca, com a aplicação de material e nivelamento das vias para reduzir os impactos durante as chuvas.
De acordo com o secretário, o trabalho inclui ações como aterro, compactação do solo e correção de desníveis, com o objetivo de evitar a formação de poças e melhorar as condições de tráfego. Apesar disso, ele reconhece que o problema não é totalmente solucionado. “O foco é diminuir os impactos. Resolver de forma definitiva exigiria infraestrutura completa, como pavimentação, o que hoje não está previsto”, indica.
A Prefeitura também tenta viabilizar o uso de materiais provenientes de obras rodoviárias, como resíduos de recapeamento, mas enfrenta dificuldades na obtenção desses insumos, que vêm sendo reaproveitados pelas próprias concessionárias.