POLÊMICO

Semam interdita frigorífico de Uberaba e empresa registra boletim de ocorrência contra a medida

Frigorífico afirma que acionará a Justiça após interdição comprometer o abate de animais que já estavam na unidade e de outros em trânsito; cerca de 30 suínos morreram durante a espera, segundo a administração

Dandara Aveiro
Publicado em 13/03/2026 às 20:57
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Frigorífico Boi Bravo, em Uberaba, foi interditado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente; empresa registrou boletim de ocorrência e pretende contestar a medida na Justiça. (Foto/Reprodução)

Frigorífico Boi Bravo, em Uberaba, foi interditado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente; empresa registrou boletim de ocorrência e pretende contestar a medida na Justiça. (Foto/Reprodução)

O frigorífico Boi Bravo, em Uberaba, foi interditado esta semana por fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), que determinaram a suspensão das atividades de abate na unidade. Considerando a medida arbitrária, a empresa registrou Boletim de Ocorrência (BO) para a preservação de direitos e, na tentativa de reverter a interdição, protocolou ofício relatando o ocorrido, seguido de pedido administrativo junto à Prefeitura. O frigorífico afirma que também pretende recorrer à Justiça para contestar a atuação do município. O Executivo, por sua vez, informou que a interdição ocorreu após fiscalização que constatou a permanência de irregularidades ambientais já apontadas anteriormente.

Segundo o diretor administrativo do frigorífico, Romeu da Costa Teles, fiscais da pasta estiveram no local, por volta das 8h30 de quinta-feira (12), já com documento determinando a suspensão das atividades de abate de bovinos e suínos. De acordo com o relato apresentado à Polícia Militar (PM), a empresa foi comunicada da paralisação sob a alegação de problemas recorrentes apontados em fiscalizações anteriores. Segundo o empresário, não houve vistoria, tendo o auto de interdição chegado pronto.

Em nota, a Semam confirmou a visita e informou que a ação ocorreu após fiscalização que identificou a permanência de irregularidades registradas em inspeções anteriores. No entanto, o administrador da empresa sustenta que as irregularidades indicadas em visitas passadas eram de pequena monta, como vazamentos em canalizações, e que teriam sido corrigidas dentro dos prazos estabelecidos, com a apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos, e que a secretaria sequer conferiu in loco.

Ao Jornal da Manhã, a Secretaria esclareceu que o estabelecimento havia sido desinterditado em outubro de 2025, com previsão de nova vistoria em até 90 dias. Durante fiscalização realizada no fim de janeiro de 2026, foram identificadas irregularidades que resultaram em auto de infração. Contrariando a afirmação do frigorífico, a pasta informou que as pendências não teriam sido sanadas e, por isso, foi lavrado novo auto, o que levou à interdição do empreendimento.

Entretanto, no momento da fiscalização, havia 110 bovinos e 220 suínos no frigorífico, além de outros 440 suínos em trânsito em caminhões a caminho da unidade para abate. Segundo o administrador, os animais já estavam embarcados nas granjas e, por normas sanitárias, não poderiam retornar às propriedades de origem, o que poderia causar risco de contaminação nos plantéis e até caracterizar maus-tratos devido ao tempo prolongado de permanência nos veículos. Ainda conforme o relato da empresa, os fiscais foram informados da situação dos animais e orientaram que a empresa formalizasse um requerimento para solicitar autorização excepcional para a realização do abate. O pedido foi protocolado, mas, segundo a unidade, não houve resposta imediata.

Segundo informações do diretor administrativo da unidade, ao longo do dia houve uma breve liberação para emissão das guias, por volta das 11h45, o que só teria sido percebido pela empresa no meio da tarde. Após comunicação às granjas fornecedoras, produtores se deslocaram até a cidade para emitirem as autorizações e organizarem o transporte dos animais. No entanto, ainda de acordo com ele, o sistema voltou a bloquear a emissão das Guias de Trânsito Animal (GTAs) por volta das 16h20, interrompendo novamente o processo. O diretor informou ainda que mais de 30 suínos teriam morrido durante o período de espera e que a empresa ainda busca locais onde os animais possam ficar e se alimentar.

Diante da situação, o administrador registrou ocorrência policial para “preservação de direitos” e protocolou junto à Prefeitura um pedido administrativo questionando a legalidade da medida adotada pelos fiscais. Segundo Romeu da Costa Teles, o objetivo é obter uma solução definitiva para o caso e evitar novas interrupções nas atividades.

O frigorífico informou ainda que, em razão do que classifica como abusos e irregularidades na condução da fiscalização, pretende ingressar na próxima semana com ações judiciais nas esferas cível e criminal contra o município e os agentes envolvidos. A empresa também argumenta que a paralisação das atividades poderia gerar impactos no abastecimento local de carne e estimular o abate clandestino, além de colocar em risco o bem-estar dos animais que já estavam destinados ao abate e, por isso, também acionou a ONG Supra. A reportagem entrou em contato com a instituição de proteção animal, que não se manifestou até o momento sobre o caso.

Em contrapartida, a Semam ressaltou que foi autorizado de forma excepcional o abate apenas dos animais que já se encontram no local. Após isso, as atividades permaneceriam suspensas até a regularização da situação. A secretaria acrescentou que a ação ainda está em andamento e que novas medidas poderão ser definidas a partir dos desdobramentos e das avaliações dos órgãos envolvidos.

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