A presença das grandes redes de supermercados e atacadistas na cidade faz com que o empresário local também crie condições de concorrência e o consumidor saia ganhando, com melhor atendimento
Matusalém Alves, diretor da Assuper, há 20 anos aposta no mercado de Uberaba e tem alavancado excelentes negócios
O mercado de atacado e supermercados se expande cada vez mais em Uberaba. Vários empresários do setor têm apostado no potencial do consumidor uberabense e investido em ampliações de lojas e novas filiais, estimulando ainda mais a concorrência a entrar nesta disputa segmentada.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas por conta da estagnação da economia, Matusalém Alves, empresário do ramo e diretor da Associação dos Supermercadistas de Uberaba (Assuper), considera que o comércio tem tido crescimento satisfatório. “Obviamente, precisariam chegar indústrias a Uberaba, porque quando se tem um número grande de empresas do mesmo setor, você está ‘dividindo’ os clientes. Mas os investidores internos estão enxergando essa oportunidade aqui, na cidade”, avalia.
Questionado se Uberaba tem espaço para todos esses inúmeros investidores do ramo, Matusalém salienta que, mesmo compartilhando um pouco os clientes, o diferencial de cada empresa vai depender da aptidão do empreendedor. “A concorrência é o maior benefício para o consumidor. Conforme entram empresas conceituadas, certamente obrigam as locais a evoluírem, oferecendo bons produtos. É isso que o cliente quer: conforto, qualidade e preço justo; tudo o que a concorrência traz”, argumenta.
Há 20 anos, Matusalém Alves aposta no mercado de Uberaba e tem alavancado os negócios, expandindo e inaugurando lojas em diversos bairros da cidade. Nessa perspectiva, a dica que o empresário dá para os supermercados enfrentarem a crise é reduzir custos. “Nós temos, hoje, um tíquete médio abaixo do que tínhamos em 2013 e 2014”, reforça.
O empresário acrescenta que aqueles que não estiverem engajados nesse momento econômico tendem a sair do mercado. “O que vale agora é a eficiência de gestão, igualmente no ramo de supermercado e atacarejo, como em qualquer outro tipo de atividade”, considera. Por fim, ele salienta a necessidade de o poder público manter uma gestão voltada ao incentivo de novas indústrias, por serem elas responsáveis por levar o nome da cidade para fora e trazer novas pessoas. “Isso é fundamental, haja vista a questão da planta de amônia e do gasoduto, que estão adormecidos, mas temos que avançar nesse diálogo para que isso possa realmente acontecer em Uberaba. E, em consequência disso, reativar o comércio”, completa.
Atacarejos reconhecem condição de cidade polo e atraem os clientes da região
Bahamas investe em sua segunda loja em Uberaba no modelo atacarejo, na avenida Nossa Senhora do Desterro
Acreditando nesse nicho de vendas em atacado e varejo, grupo genuinamente mineiro atua há 30 anos no segmento varejista. De acordo com o gerente de Marketing da empresa, Nélson Júnior, os atacadistas enxergaram no Triângulo Mineiro, ainda em 2011, uma região em expansão e decidiram apostar em diversas cidades, inclusive Uberaba, que possui uma filial do grupo desde 2015. “Entramos na cidade no formato indoor, com uma bandeira de varejo segmentada, que traz um mix e atendimento diferenciados, além do consumo gourmet”, esclarece.
O grupo já investe em uma segunda loja na cidade, de perfil atacarejo, empregando valor estimado em R$15 milhões e com expectativa de geração de 150 empregos diretos após a entrada em operação da unidade. “Estávamos aguardando melhor oportunidade para implantar na rua, onde as pessoas têm um trânsito maior no dia a dia”, destaca.
Segundo Nélson, o fato de o município já ter grandes redes é um processo natural, sendo que cada um irá brigar pelo seu mercado, pelo conceito de atendimento e de trabalho. “Nós vamos implantar o nosso conceito, que já fixamos, com sucesso, em Uberlândia, com duas lojas dessa bandeira de atacado. Claro que faremos isso entendendo que outras redes já têm esse formato de venda, mas cada um brigará pelo seu espaço”, reforça, dizendo acreditar que o grupo estará somando os processos de desenvolvimento de Uberaba. “Esse formato de loja tem característica de atrair para a cidade compradores de regiões menores. Se imaginarmos que atrairemos pequenas mercearias, transformadores e buffets, vamos contribuir para que essas pessoas consumam nos restaurantes e no comércio local”, opina.