DADOS ALARMANTES

Uberaba é a 3ª cidade de Minas Gerais com mais casos de estupro de vulnerável, aponta MP

Município soma 135 registros em um ano e aparece atrás apenas de Belo Horizonte e Contagem no ranking estadual

Dandara Aveiro
Publicado em 19/03/2026 às 22:37
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Uberaba aparece como a terceira cidade mineira com maior número de registros de estupro de vulnerável, segundo levantamento do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Com 135 ocorrências contabilizadas no período de um ano, o município fica atrás apenas de Belo Horizonte e Contagem, dentro de um cenário estadual que soma mais de 4,1 mil casos no período. O dado acende um alerta diante do quadro local preocupante de violência sexual contra crianças e adolescentes. 

De acordo com o levantamento, baseado em boletins de ocorrência da Polícia Civil, foram contabilizados 4.101 casos de estupro de vulnerável em Minas Gerais entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. Desse total, 135 ocorrências foram registradas em Uberaba, colocando a cidade atrás apenas da capital mineira, com 379 casos e de Contagem (região metropolitana), com 160; e à frente de Uberlândia, com 105 registros desse tipo de crime.  

Apesar de aparecer em terceiro lugar no ranking absoluto, os dados indicam que a situação em Uberaba é proporcionalmente mais grave. Com população bem inferior a do primeiro e segundo lugares na lista de cidades, o município apresenta uma incidência maior de casos em relação ao número de habitantes, com cerca de um registro a cada 2,6 mil moradores, enquanto em Contagem a proporção é de um a cada 4 mil e, na capital, de um a cada 6,3 mil pessoas. 

Além do impacto local, os dados revelam que os crimes foram registrados em 611 municípios mineiros, o que corresponde a 71,6% do estado. A Região Metropolitana de Belo Horizonte lidera em número de casos (33,8%), seguida pelo Triângulo Mineiro, onde Uberaba está inserida, com 13% das ocorrências. 

(Foto/Divulgação/MPMG)

(Foto/Divulgação/MPMG)

Em nível estadual, os dados mostram que a maioria dos crimes (97,27%) foi consumada e que, em 235 casos (5,7%), houve gravidez das vítimas. Outro ponto que chama atenção é que mais da metade dos registros, equivalente a 2.169 ocorrências (52,8% do total), envolveram autores que fazem parte do convívio familiar ou do círculo de confiança das vítimas. Segundo a promotora de Justiça Graciele de Rezende Almeida, a maior parte dos abusos é cometida justamente por pessoas que deveriam garantir proteção, em ambientes que deveriam ser seguros para crianças e adolescentes. O levantamento também aponta que, em outros 227 registros, há indícios de algum tipo de relação entre o agressor e a vítima. 

Diante do cenário, o MPMG intensificou ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. Segundo a promotora, os dados foram compartilhados com as coordenadorias regionais para planejar estratégias de prevenção e fortalecer a atuação das redes de proteção nos municípios. 

Os casos que resultaram em gravidez estão sendo analisados individualmente pelas Promotorias de Justiça, com o objetivo de garantir que as vítimas tenham acesso a todos os direitos e ao atendimento adequado. Graciele Almeida destaca que, além do trauma da violência, essas meninas enfrentam as consequências de uma gravidez precoce, o que exige acolhimento imediato e humanizado. 

Outro desafio apontado pelo Ministério Público é a subnotificação. Muitos casos não chegam às autoridades por medo, vergonha ou por ocorrerem dentro do próprio ambiente familiar. Segundo a promotora, essa realidade também atinge meninos, que tendem a denunciar ainda menos devido a barreiras culturais. 

Como forma de enfrentamento, o MPMG prepara para maio — mês marcado pela campanha Maio Laranja — a “Caravana Proteger”, que vai percorrer regiões do estado com capacitação de conselheiros tutelares e profissionais da rede de proteção, buscando padronizar o atendimento e ampliar a eficácia no combate aos abusos. 

Especialistas reforçam que mudanças de comportamento em crianças e adolescentes podem ser sinais de alerta, como isolamento, medo excessivo, queda no rendimento escolar, além de sintomas físicos. Em caso de suspeita, a orientação é procurar imediatamente o Conselho Tutelar, o Ministério Público, a Polícia ou os serviços de saúde, evitando abordagens inadequadas que possam agravar o trauma. 

A principal forma de prevenção, segundo o MPMG, ainda é o diálogo. Criar um ambiente de confiança em casa e orientar crianças e adolescentes sobre o próprio corpo são medidas fundamentais para romper o silêncio e enfrentar um problema que, muitas vezes, começa dentro de casa. 

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