Suspensão da rota para Campinas reduziu conexões e impactou o movimento do aeroporto
A aviação regional em Minas Gerais enfrenta turbulência em 2026, e Uberaba aparece entre os municípios impactados pela redução de voos e pela queda no fluxo de passageiros. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o aeroporto da cidade registrou retração de 37% no movimento entre janeiro e abril deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.
O principal fator para a queda em Uberaba foi a suspensão da rota para Campinas (SP), considerada estratégica para conexões nacionais. A redução acompanha um cenário mais amplo de dificuldades enfrentadas pelas companhias aéreas regionais, pressionadas principalmente pelo aumento expressivo no preço do querosene de aviação (QAV).
No interior mineiro, a situação mais crítica foi registrada em Patos de Minas e Araxá, no Alto Paranaíba. Os dois aeroportos tiveram quedas de 90% e 80%, respectivamente, após mudanças operacionais promovidas pela Azul Linhas Aéreas, principal operadora da aviação regional no Estado.
Segundo entidades do setor, o combustível praticamente dobrou de preço nos últimos três meses, passando de R$ 3,30 para R$ 6,65 por litro. O avanço é reflexo da instabilidade no mercado internacional de petróleo, agravada pela guerra no Oriente Médio. Atualmente, o QAV representa cerca de 46% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras, com impacto ainda maior nas rotas regionais e em cidades de menor demanda.
Além de Uberaba, também registraram redução no número de passageiros os aeroportos de Montes Claros, Santana do Paraíso, Goianá e Governador Valadares. No Triângulo Mineiro, apenas Uberlândia apresentou crescimento no período, com alta de 12,8% no fluxo de passageiros no primeiro quadrimestre de 2026.