Turismólogo Mauro Ferreira afirma que reconhecimento internacional precisa ser acompanhado de participação local e infraestrutura adequada
Desde a conquista do selo de Geoparque, Uberaba se estrutura para se tornar uma cidade turística. Contudo, enfrenta entraves importantes na atração de visitantes, sobretudo no que tange aos horários de funcionamento. Museus fechados para recesso em período de férias causaram indignação na população recentemente. Para o turismólogo uberabense Mauro Ferreira, atualmente coordenador de turismo em Foz do Iguaçu, compreender o patrimônio histórico, religioso e científico da cidade é fundamental. Ele reforça, no entanto, que é preciso ir além da observação e investir em educação, qualificação de guias e estruturação de roteiros temáticos.
“Quando vejo Uberaba hoje, penso que precisamos refletir sobre o turismo amplamente. Ele cresceu muito rápido no mundo, com a evolução da tecnologia, das comunicações e do transporte. Mas, para que a cidade se destaque, é essencial cuidar do patrimônio histórico e cultural, não apenas o observar”, avalia Ferreira.
O coordenador pontua que a valorização de espaços históricos e científicos ainda caminha gradualmente. Ele cita como exemplo o Geoparque, reconhecido pela Unesco, reforçando a importância de envolver a população e garantir que a conservação esteja aliada à experiência do visitante. “Se não há interesse da população, a Unesco não referencia o estudo. Por isso, é fundamental que a comunidade participe e compreenda o valor desses patrimônios, sejam eles materiais ou imateriais”, explica.
Ferreira também destaca que a infraestrutura da cidade influencia diretamente a experiência turística. “Não basta ter museus, igrejas e praças se não há infraestrutura adequada. Uma cidade sem água, por exemplo, não pode ser considerada turística. Passeando por Uberaba, vejo praças e jardins malcuidados e edifícios que poderiam ser melhor aproveitados, como o Colégio Estadual Castello Branco, projetado por Niemeyer”, pontua.
Para o especialista, a valorização de museus e espaços como o Museu do Zebu depende de planejamento e do uso ativo dos acervos. Segundo ele, patrimônio não é apenas preservar sem utilizar; é importante que os elementos históricos desempenhem funções urbanas, de lazer, exposições e entretenimento, alertando que, se não forem utilizados, acabam se deteriorando.
“Temos lugares encantadores, como a Igreja da Medalha Milagrosa e a São Domingos. Com cuidado e interpretação adequados, esses espaços podem atrair visitantes e reforçar a identidade de Uberaba no turismo”, finaliza.