CONTESTOU

UFTM contesta Conphau e diz que Dinogarden em Peirópolis foi aprovado pelo Conselho em 2023

Universidade afirma ainda que reforma do Museu dos Dinossauros segue orientações do Iphan; Instituto foi acionado pelo JM para esclarecer participação no projeto

Larissa Prata
Publicado em 21/08/2026 às 15:40
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A manifestação foi encaminhada ao Jornal da Manhã nesta sexta-feira (21), após o JM revelar que o Conphau deliberou pelo acionamento do Ministério Público e de órgãos de controle para buscar a suspensão e interdição de obras em um raio de 300 metros da antiga estação, imóvel tombado onde funciona o Museu dos Dinossauros.

A decisão do Conselho foi tomada em reunião realizada em 30 de julho e consta em ata publicada nesta quinta-feira (20) no Porta-Voz. No documento, foram relatadas a substituição integral das telhas da estação, alteração do piso e construção de uma praça com brinquedos temáticos sem projeto aprovado.

É justamente sobre este último ponto que a UFTM apresenta agora uma versão diferente. Segundo a Universidade, a instalação dos brinquedos científicos do Dinogarden foi aprovada por unanimidade pelo Conphau em 13 de abril de 2023, conforme ata publicada no Porta-Voz nº 2.206.

A instituição afirma que a iniciativa integra o Programa Praças da Ciência, tem finalidade educativa e científica, contou com participação formal da Prefeitura de Uberaba e obteve declaração ambiental de atividade não passível de licenciamento.

O Dinogarden não é um projeto novo. Em setembro de 2023, o JM noticiou que a proposta da UFTM havia sido aprovada em chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para implantação de uma praça sociocientífica e cultural em Peirópolis. O projeto previa brinquedos didáticos e interativos, como telefone sem fio, carrossel acessível, relógio de sol, balanço adaptado, pêndulos humanos e gangorra, além de outras atividades científicas. A proposta ficou em primeiro lugar em Minas Gerais e em quinto no país.

Reforma e troca das telhas

A UFTM também rebateu os questionamentos sobre a reforma do prédio histórico. Segundo a Universidade, os serviços no Museu dos Dinossauros são executados com base em projeto técnico e nas orientações emitidas pelo Iphan.

As intervenções, conforme a nota, incluem manutenção da cobertura, substituição da estrutura de madeira e das telhas cerâmicas deterioradas, preparação das superfícies para pintura e adequação das instalações sanitárias às normas de acessibilidade.

Sobre a retirada das telhas, um dos principais pontos discutidos pelo Conphau, a UFTM afirma que a substituição ocorreu após constatação técnica de que as peças apresentavam quebras, perda de encaixes e fragilidade e, por isso, não ofereciam condições seguras de reaproveitamento.

Segundo a instituição, as telhas retiradas permanecem armazenadas e aguardam novas orientações do Iphan. A Universidade sustenta que a intervenção busca eliminar infiltrações, ampliar a segurança do imóvel e preservar suas características arquitetônicas.

A explicação contrapõe o debate registrado na reunião de julho do Conphau. Na ocasião, o arquiteto Marcondes Nunes de Freitas, autor do projeto de restauração da estação executado em 1988, relatou que parte das antigas telhas francesas havia sido propositalmente preservada naquela intervenção. Telhas novas teriam sido utilizadas somente no espigão, justamente para permitir a leitura histórica da restauração realizada à época.

Conforme registrado na ata, Marcondes avaliou que essa leitura histórica teria sido perdida com a substituição integral das telhas.

Iphan já esteve na estação

A participação do Iphan no processo antecede a atual controvérsia. Em outubro de 2024, equipe técnica da Superintendência do Instituto em Minas Gerais esteve em Peirópolis para avaliar a antiga estação ferroviária e outros imóveis históricos pertencentes à UFTM.

Na ocasião, os técnicos fizeram registros fotográficos, conheceram a história das edificações e orientaram equipes da Universidade sobre práticas de preservação. Durante a visita, a UFTM também apresentou o projeto de reforma das instalações do Museu dos Dinossauros e foram discutidos os procedimentos para tramitação de processos junto ao Iphan.

Diante do imbróglio, a reportagem do Jornal da Manhã acionou o Iphan para esclarecer se o projeto foi formalmente submetido e analisado após a visita de 2024 e se houve autorização ou manifestação técnica sobre as intervenções.

O JM questionou especificamente se a substituição das telhas estava prevista no projeto analisado ou foi objeto de orientação do Instituto; se houve vistoria ou acompanhamento da execução das obras; e se o Iphan analisou ou se manifestou sobre a implantação do Dinogarden no entorno da estação.

Até a publicação desta matéria, o instituto ainda não havia se posicionado. O espaço está aberto à manifestação. 

Recursos do Ministério Público

A UFTM informou ainda que a reforma é custeada com recursos destinados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da atuação do promotor de Justiça Carlos Valera.

As intervenções já haviam sido anunciadas anteriormente. Em junho de 2025, o JM mostrou que a antiga estação estava em preparação para receber melhorias estruturais, incluindo recuperação do telhado, adequações das redes elétrica e hidráulica, instalação de sistema contra descargas atmosféricas e novos equipamentos de prevenção a incêndios. Na ocasião, o projeto já era apresentado como financiado com recursos concedidos pelo MPMG, com contrapartida da UFTM em materiais e serviços.

Apesar das explicações apresentadas pela Universidade, a divergência documental permanece pendente de esclarecimento. De um lado, a ata da reunião do Conphau de julho registra preocupação com intervenções que teriam ocorrido sem projeto aprovado e levou o colegiado a decidir pelo acionamento de órgãos de controle e do Ministério Público. De outro, a UFTM sustenta que o Dinogarden havia sido aprovado pelo próprio Conselho em 2023 e que a reforma do Museu segue projeto técnico e orientações do Iphan.

A Universidade afirmou que permanece à disposição dos órgãos de proteção patrimonial para prestar esclarecimentos e reafirmou compromisso com a preservação do patrimônio histórico do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis.

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