
O avanço da tecnologia no cotidiano tem transformado a forma como crianças aprendem, se comunicam e se relacionam com o mundo (Foto/Divulgação)
O avanço da tecnologia no cotidiano tem transformado a forma como crianças aprendem, se comunicam e se relacionam com o mundo. Embora ferramentas digitais facilitem tarefas escolares e ampliem o acesso à informação, a secretária adjunta da Seds, Anna Maia, e a coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres de Uberaba, Fernanda Mendes, alertam que o uso excessivo desses recursos pode comprometer o desenvolvimento do raciocínio, da autonomia e da capacidade de concentração dos mais jovens.
Em entrevista à Rádio JM, Anna Maia observa que a geração atual cresceu já inserida em um ambiente totalmente digital, diferentemente dos pais, que vivenciaram a transição do analógico para o tecnológico. Segundo ela, essa mudança trouxe ganhos, mas também desafios importantes no processo de aprendizagem. “A tecnologia surgiu como um facilitador, inclusive no acompanhamento das tarefas. Mas, ao mesmo tempo, a gente percebe uma dificuldade maior de raciocínio. É uma geração que não tem paciência de sentar, ler um livro ou acompanhar uma atividade mais longa”, afirma.
Na prática, o acesso imediato a respostas prontas tem reduzido o esforço cognitivo das crianças fora do ambiente escolar. Para Fernanda Mendes, o problema não está apenas na presença da tecnologia, mas na forma como ela substitui processos importantes de aprendizagem. “Eles fazem as atividades na escola, mas fora dela não exercitam mais o raciocínio. Está tudo muito rápido: é celular, é assistente virtual. A criança pergunta e a resposta vem pronta. Isso tira a necessidade de pensar, de tentar resolver”, relata.
Outro ponto de atenção é o uso de ferramentas mais avançadas, como inteligências artificiais, que podem ampliar ainda mais essa dependência. Anna Maia destaca que, além de recorrerem a essas ferramentas, muitos estudantes não desenvolvem o hábito de conferir ou refletir sobre o conteúdo obtido, o que pode impactar diretamente a formação crítica.
Diante desse cenário, o desafio para famílias e educadores é encontrar equilíbrio entre o uso das tecnologias e o estímulo ao pensamento crítico. A mediação dos adultos, o incentivo à leitura e a criação de rotinas que valorizem o esforço intelectual aparecem como caminhos possíveis para minimizar os impactos e garantir um desenvolvimento mais completo das crianças.