No ano passado, entre maio e dezembro, a Rede de Proteção de Uberaba acompanhou 38 notificações envolvendo crianças e adolescentes inseridos em situações classificadas como violência extrema no ambiente escolar. O dado acende alerta em toda a rede escolar para que novos episódios graves não voltem a ocorrer na cidade.
Em entrevista ao JM News, da Rádio JM, a referência técnica em Vigilância das Violências, Raissa Mazeti, explicou que a violência nas escolas se subdivide em duas categorias: situações preocupantes e situações emergenciais. As características estão compiladas Protocolo de Prevenção e Atuação da Rede de Proteção em Situações de Violência Extrema nas Escolas, elaborado pelo Nupaz (Núcleo Intersetorial de Prevenção à Violência e Promoção da Paz), em parceria com órgãos do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA). A iniciativa se deu após a morte de adolescente em sala de aula, em maio de 2025.
Segundo Raíssa Mazeti, a situação preocupante é aquela que ainda não se concretizou, mas exige atenção por haver sinais de que pode ocorrer. Ela explicou que, nesses casos, a criança ou adolescente demonstra comportamentos que indicam possível envolvimento com violência, demandando acompanhamento preventivo.
Entre os exemplos citados estão produzir desenhos ou textos com conteúdos violentos, falas ameaçadoras, manifestações de misoginia, racismo ou homofobia e episódios recorrentes de bullying. “Não é algo para ser ignorado. São sinais que indicam que algo não está bem e que precisam ser comunicados para a gente conseguir intervir antes que vire uma situação mais grave”, destacou.
Já as situações emergenciais, de acordo com Mazeti, são aquelas em que existe risco real e imediato à integridade física das pessoas no ambiente escolar. Nessa classificação entram ameaças diretas, porte de armas brancas e indícios de planejamento de ataques.
Segundo ela, nesses casos, a prioridade é garantir a segurança de alunos, professores e funcionários, com acionamento da Polícia Militar, registro de ocorrência e comunicação imediata aos órgãos responsáveis. “O protocolo existe para orientar, dar segurança à escola e proteger a criança e o adolescente. Quanto mais cedo a situação é identificada, maiores são as chances de evitar uma tragédia”, explicou.
Por fim, Mazeti reforçou que a prevenção da violência extrema passa, necessariamente, pela atuação conjunta entre escola, família e Rede de Proteção. A identificação precoce de sinais, o acompanhamento em saúde mental e o diálogo constante são apontados como fundamentais para garantir a segurança no ambiente escolar e o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.